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THIAGO PACHECO Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2024, 13:16 - A | A

Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2024, 13h:16 - A | A

POR THIAGO PACHECO

Um dos maiores rombos corporativos da história

Thiago Pacheco

Por Thiago Pacheco*

Um ano do caso Lojas Americanas

Passado um ano de um dos principais rombos corporativos da história brasileira, vamos relembrar os principais pontos que marcaram o caso.

Em 11/01/23, na nova diretoria das Lojas Americanas, liderada pelo então CEO Sérgio Rial (Ex Latam de um dos maiores bancos do mundo) comunicava ao mercado que havia detectado sérias inconsistências contábeis no balanço da companhia, que se estimava, à época, um volume em torno de R$ 20 bilhões, com base nos números apurados até o fim do terceiro tri (30/09) de 2022. Dando início uma fraude histórica no marcado brasileiro.

Com tal divulgação, várias informações adicionais vieram à tona e medidas passaram a ser tomadas, seguindo, que no dia 19 do mesmo mês, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, passando a ser o 4º maior processo recuperacional até hoje.
Um documento de auditoria, elaborado pela assessoria jurídica, que acompanha a varejista desde o pedido de recuperação, entrega em 13 de junho de 2023, ao conselho de administração, aponta que a antiga diretoria tinha conhecimento da fraude contábil ocorrida na empresa.

O relatório indicava as fraudes ocorridas nas movimentações financeiras, além de demonstrar que havia trabalhos conjugados entre os executivos para ocultar o esquema, forjando o aumento de lucros da empresa e naturalmente, resultando nos pagamentos astronômicos de bônus. Existem apontamentos que aproximadamente R$ 22 bi, do rombo, teve origem em verbas publicitárias, entre as indústrias e a companhia. Quanto a fraudes em empréstimos, foram levantados R$ 20,6 bi, até a data da divulgação, culminando com a renúncia do novo CEO.

Mesmo com a divulgação das informações, o relatório afirmava não ser possível identificar em que nível os sócios tinham conhecimento em relação aos números da empresa.

Após quatro adiamentos, somente em novembro de 2023 a companhia divulgou seu balanço de 2022, onde se revelava o seguinte;
Prejuízo de R$ 12,912 bi em 2022 e perda de R$ 6,237 bi em 2021, conforme números ajustados – conforme os números divulgados em novembro daquele ano com relação a setembro, indicava uma perda de pouco menos de R$ 450 milhões, resultando um crescimento de seis vezes com relação ao período em 2021.

A dívida líquida se apresentava com montante de R$ 26,287 bi, aumento, em um ano, na ordem de 85%.

O endividamento informado em setembro/22 reportava o valor de R$ 5,3 bi, sendo 5 vezes menor que o reportando durante todo o ano de 2022, onde somente no curto prazo apresentava R$ 37 bi, frente a uma despesa financeira de R$ 5,2 bi.

Quanto ao EBITA, se deu recorrentemente negativo, com menos R$ 2,927 bi, já o caixa da companhia finalizou o ano com R$ 6 bi, e com R$ 2,5 bi de capital de giro.

Números que foram alarmantes ao mercado, principalmente para os investidores que acreditaram na varejista, adquirindo suas ações, diante os excelentes resultados que vinham sendo apresentados.

Para finalizar os marcos históricos, o caso chegou a ser pauta de uma CPI, que teve seu relatório aprovado em setembro do 2023, o qual investigava a fraude, porém, no documento de 338 páginas, do deputado Carlos Chiodini (MDB – SC), não propunha o indiciamento dos acionistas de referência da empresa (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sucupira), por não conseguir concluir a responsabilidade da fraude, haja visto que no estágio em que o processo se encontrava não era possível identificar, de forma precisa, de quem era a autoria dos fatos investigados, bem como as responsabilidades criminais respectivas, sendo necessário a realização de novas diligências e coletas de dados mais robustos.

Enfim, sem dúvida um fato histórico marcante, que mudou, e muito, a concepções sobre os aspectos de concessões de crédito, principalmente sobre o viés das grandes do varejo, mas sobretudo no tocante as auditorias contábeis.

Em sua, grandes empresas, com alto nível de complexidades financeiras, de certa maneira, tendem a se beneficiar diante um processo de recuperação judicial, uma vez que para os credores, principalmente os maiores, normalmente perdem muito mais em um cenário de falência, frente ao deságio do crédito concedido, além da possibilidade de manutenção das negociações entre as partes. Não podemos negar, que principalmente após 2020, com a atualização da lei de Recuperação Judicial, ajudam, e muito, as companhias que se utilizam desta alternativa.

Seguem 5 maiores RJ’s do mercado;
1º Odebrecht – R$ 98,5 bi
2º Oi – R$ 65,4 bi
3º Samarco – R$ 50 bi
4º Lojas Americanas – R$ 43 bi
5º - Sete Brasil – 19,3 Bi

Observem que na lista disparado em 1º lugar temos a Odebrecht, que foi severamente impactada com os processos da operação Lava Jato, chegando à justiça em 2019 com quase R$ 100 bi, seguida da Oi, tendo sua recuperação declarada em 2016, e Samarco, que pediu recuperação judicial em 2021, após seus negócios ruírem com o rompimento da barragem em Mariana – MG, no ano de 2015. Temos um Grupo Regional, que figura entre os 20 maiores processos, o Grupo Bom Jesus, com crédito homologado no processo em R$ 2,6 bi.

*Thiago Pacheco é especialista em finanças, mercado, controladoria, agronegócios e ESG, com mais de 20 anos de indústria financeira, com passagens em grandes bancos com presença internacional, além dos maiores players do agro. Professor e mentor para o mercado financeiro e de capitais, e ainda, fundador e CEO da Elevare Institute. 

 

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