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POLÍTICA NACIONAL Segunda-feira, 18 de Maio de 2026, 10:28 - A | A

Segunda-feira, 18 de Maio de 2026, 10h:28 - A | A

PEC DA POLÊMICA

Centrão quer cortar FGTS e flexibilizar jornada para salvar PEC da escala 6X1

Empresas poderão abater em dobro gastos com novas contratações

Luana Ogiwara

 

 

Uma nova proposta apresentada na Câmara dos Deputados pretende alterar de forma significativa a PEC que discute o fim da escala 6×1 no Brasil. A emenda, articulada por parlamentares do Centrão, cria um pacote de benefícios fiscais e mudanças trabalhistas voltadas às empresas como forma de compensar a eventual redução da jornada semanal para 40 horas.

 

O texto foi apresentado pelo deputado Sérgio Turra e reúne apoio de 176 parlamentares. Entre os principais pontos está a redução pela metade da contribuição ao FGTS para empregadores que aderirem ao novo modelo de jornada. Caso a medida avance, empresas passariam a recolher 4% sobre os salários dos funcionários, em vez dos atuais 8%.

 

A proposta também prevê suspensão temporária da contribuição patronal ao INSS para novas vagas abertas em decorrência da redução da carga horária. A ideia, segundo defensores da medida, seria estimular contratações e evitar demissões em massa após a mudança nas regras trabalhistas.

 

Outro trecho cria incentivos tributários para empresas que ampliarem o número de empregados. Gastos com novos postos de trabalho poderiam ser abatidos em dobro no cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Empresas do Simples Nacional e do Lucro Presumido também teriam direito a créditos tributários equivalentes.

 

Apesar de prever a redução oficial da jornada semanal, a emenda estabelece um período de transição de até dez anos para aplicação completa das novas regras. Além disso, a entrada em vigor dependeria do cumprimento de metas nacionais de produtividade, o que pode acabar adiando a mudança por tempo indefinido.

 

A proposta ainda amplia o peso dos acordos coletivos nas relações trabalhistas. Convenções firmadas entre sindicatos e empresas poderão flexibilizar escalas, banco de horas, intervalos e limites de jornada. Em determinadas situações, os acordos poderão ultrapassar em até 30% o teto semanal previsto na Constituição, abrindo espaço para cargas horárias superiores a 50 horas semanais.

 

Setores classificados como essenciais, como saúde, segurança, abastecimento, mobilidade urbana e infraestrutura crítica, ficariam fora da redução automática e continuariam autorizados a operar com jornadas de até 44 horas semanais.

 

Outro ponto incluído no texto autoriza o uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar programas de adaptação empresarial, reorganização de turnos e capacitação profissional.

 

Nos bastidores de Brasília, parlamentares ligados ao setor produtivo afirmam que a proposta busca reduzir os impactos econômicos da diminuição da jornada, evitando aumento da informalidade, fechamento de empresas e pressão inflacionária.

 

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