Foto: Victor Ostetti
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), voltou a criticar publicamente a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar supostas irregularidades em licitações na Secretaria de Estado de Saúde (SES), investigadas no âmbito da Operação Espelho.
Durante entrevista coletiva, o chefe do Executivo classificou a iniciativa como uma “manobra política” e afirmou que a investigação já foi conduzida pelos órgãos competentes.
“Quer investigar? Pode investigar. Mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, que o Ministério Público já investigou e que já processou”, declarou.
Mendes argumentou que os fatos relacionados à operação foram apurados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), com desdobramentos judiciais já em andamento.
Para ele, a instalação da CPI demonstra que o objetivo não seria esclarecer os fatos, mas atender a interesses políticos dentro do Parlamento estadual.
“Isso dá uma certa clareza de que se trata apenas de um movimento político de algumas pessoas dentro da Assembleia Legislativa”, afirmou o governador. Ele também criticou a forma como o pedido foi apresentado, dizendo que “não houve seriedade” na condução do processo.
Outro ponto levantado por Mendes foi a validade das assinaturas que viabilizaram a criação da comissão. Segundo ele, parte das assinaturas foi coletada há anos e alguns deputados tentaram posteriormente retirar o apoio ao pedido. A Mesa Diretora da Assembleia, no entanto, não aceitou a anulação.
A CPI foi instaurada para apurar um suposto esquema de fraudes em contratos da SES revelado pela Operação Espelho. O governo estadual sustenta que as irregularidades já foram alvo de investigação formal e que eventuais responsáveis estão sendo processados.
A criação da comissão intensificou o embate entre o Palácio Paiaguás e setores da Assembleia Legislativa, ampliando a tensão política em torno do caso.


