A reação de autoridades brasileiras à prisão de Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos expôs, mais uma vez, a divisão ideológica sobre como lidar com regimes autoritários na América do Sul. Enquanto setores da esquerda condenaram a ação sob o argumento de violação da soberania venezuelana, o deputado estadual Faissal Calil (PL) adotou posição oposta e classificou o discurso como leniência com uma ditadura acusada de crimes graves.
Para o parlamentar, o debate não pode ser reduzido a formalidades diplomáticas quando um governo acumula denúncias de repressão, perseguição política e violência institucionalizada. Na avaliação de Faissal, insistir no argumento da soberania, nesse contexto, significa ignorar deliberadamente a realidade vivida pela população venezuelana.
O deputado criticou manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Eduardo Leite, que condenaram a operação americana e alertaram para riscos à estabilidade internacional. Segundo Faissal, esse tipo de posicionamento revela uma preocupação maior com o discurso ideológico do que com as vítimas do regime chavista.
Ao comentar a situação da Venezuela, o parlamentar lembrou que o país acumula denúncias internacionais envolvendo execuções, censura à imprensa, perseguição a opositores e cooptação de instituições estatais pelo crime organizado. Para ele, um Estado que atua contra o próprio povo rompe o pacto mínimo que justifica o respeito à soberania.
Faissal também apontou que líderes políticos brasileiros costumam adotar dois pesos e duas medidas ao tratar de direitos humanos: são rápidos em criticar democracias ocidentais, mas cautelosos ou silenciosos diante de regimes alinhados ideologicamente à esquerda latino-americana.
Na visão do deputado, a soberania nacional não pode ser usada como escudo moral para governos que se sustentam pela força, pelo medo e pela supressão de liberdades. Ele defende que a comunidade internacional precisa agir quando Estados deixam de proteger seus cidadãos e passam a operar como estruturas de opressão.
Para Faissal Calil, a prisão de Maduro representa um sinal de que autoritarismo não pode ser normalizado e que ditaduras não devem contar com complacência internacional apenas por conveniência política.



