O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) afirmou que a morte do servidor público Valdevino Fidélis, de 65 anos, durante uma ação da Polícia Militar em Cuiabá, não deve ser usada como argumento para retomar a discussão sobre a adoção de câmeras corporais nos uniformes dos policiais militares em Mato Grosso.
À frente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Elizeu avaliou que o episódio ocorrido no bairro Goiabeiras foi uma situação excepcional e defendeu a atuação dos militares envolvidos na ocorrência.
Segundo o parlamentar, os policiais precisaram agir rapidamente diante da suspeita de que familiares estavam sendo mantidos reféns dentro da residência.
“O caso envolvendo o Valdevino foi um fato isolado, em uma situação extremamente delicada, onde os policiais precisaram agir com rapidez para salvar a vida de familiares que estavam sendo mantidos reféns”, declarou ao portal HNT.
A morte do servidor reacendeu a discussão em torno do projeto de lei que prevê a utilização obrigatória de câmeras nas fardas da Polícia Militar. A proposta é de autoria do deputado Wilson Santos (PSD) e começou a tramitar ainda em 2021, mas enfrenta resistência dentro do Legislativo estadual.
Após ficar arquivado por um período, o texto voltou à pauta em 2024, porém segue sem avanço na Comissão de Segurança Pública, presidida por Elizeu Nascimento.
O deputado voltou a demonstrar posicionamento contrário à medida e argumentou que não considera correto utilizar episódios específicos para questionar toda a corporação militar.
“Sou contra a proposta de implantação de câmeras nas fardas dos militares, porque não podemos generalizar episódios pontuais e colocar em dúvida toda uma corporação. A Polícia Militar de Mato Grosso desempenha um excelente trabalho na segurança pública, sendo uma instituição honrada, respeitada e fundamental na proteção da nossa população”, afirmou.
A ocorrência envolvendo Valdevino Fidélis aconteceu na noite de segunda-feira (11), em Cuiabá. Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, o servidor estaria mantendo a enteada em cárcere privado e teria ameaçado os policiais durante a abordagem.
Vídeos gravados por moradores da região registraram parte da ação policial. A família da vítima, no entanto, questiona a versão oficial e sustenta que houve abuso por parte dos agentes.
Parentes confirmaram que Valdevino possuía arma de fogo, mas afirmam que a abordagem teria sido desproporcional. O caso segue cercado de questionamentos e ampliou o debate sobre transparência nas operações policiais e uso progressivo da força em Mato Grosso.



