Um terremoto de grande intensidade registrado no nordeste do Japão levou autoridades a acionarem um alerta para possível tsunami com ondas que podem alcançar até três metros. As informações foram divulgadas pela Agência Meteorológica do Japão e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, que apontaram magnitude entre 7,4 e 7,5 para o abalo, ocorrido na costa leste da ilha de Honshu.
As áreas sob maior risco incluem a província de Iwate e regiões de Hokkaido e Aomori. Já em outras localidades do nordeste japonês, o aviso foi mais brando, com previsão de ondas que não ultrapassariam um metro. O alerta oficial foi emitido às 8h52 no horário local. Posteriormente, o órgão japonês revisou a magnitude do tremor para 7,5, sem explicar a divergência em relação à estimativa inicial.
Mesmo com a projeção de ondas maiores, os primeiros registros indicaram níveis abaixo do esperado. No porto de Kuji, em Iwate, o mar chegou a 0,8 metro e ainda apresentava elevação, segundo a emissora NHK. Em Miyako, também na mesma província, a medição apontou ondas de 0,4 metro.
Relatos vindos da capital japonesa indicam que o tremor foi prolongado. Um produtor da CNN afirmou ter sentido a estrutura do prédio onde estava balançar por cerca de sete minutos. Diante do cenário, a primeira-ministra Sanae Takaichi determinou que moradores deixassem imediatamente as áreas sob alerta e buscassem locais seguros, além de anunciar a criação de um grupo emergencial para lidar com a crise.
“Os moradores das áreas onde foram emitidos alertas de tsunami devem sair imediatamente para terrenos mais altos ou locais mais seguros, como edifícios de retirada”, disse Takaichi a repórteres em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
“As autoridades estão fazendo o possível para avaliar os danos, implementar medidas de resposta a desastres, como operações de busca e resgate, e fornecer informações precisas e oportunas ao público”, declarou a premiê. “Neste momento, ainda estamos confirmando a extensão dos danos humanos e materiais, mas receberemos relatórios detalhados em breve e prosseguiremos com os esforços de resposta ao desastre.”
O sistema de transporte também foi impactado. O serviço do trem-bala entre Tóquio e Shin-Aomori foi interrompido após falha no fornecimento de energia. Outras linhas ferroviárias no norte do país também tiveram operações suspensas, incluindo o trajeto entre Akita e Morioka. Na província de Iwate, os trens locais deixaram de circular.
No setor energético, a Tokyo Electric Power Company informou que não houve irregularidades nas usinas nucleares de Fukushima Daiichi e Fukushima Daini, embora equipes tenham sido retiradas como medida preventiva. As unidades de Onagawa e Higashidori também não registraram problemas, com níveis de radiação dentro dos padrões normais.
Situado no Círculo de Fogo do Pacífico, o Japão convive com frequentes atividades sísmicas. O episódio mais grave da história recente do país ocorreu em 2011, quando um terremoto de magnitude 9,1 desencadeou um tsunami devastador e provocou um grave acidente nuclear.



