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MUNDO Quinta-feira, 18 de Junho de 2026, 08:47 - A | A

Quinta-feira, 18 de Junho de 2026, 08h:47 - A | A

ATAQUE AÉREO

Refinaria de Moscou é alvo de drones ucranianos pela segunda vez na semana

Segundo Moscou, sistemas de defesa barraram 555 drones enviados pela Ucrânia em ataque noturno

Luana Ogiwara

 

A Ucrânia voltou a atingir uma das principais estruturas energéticas da Rússia nesta quinta-feira (18). Segundo autoridades russas, drones ucranianos atacaram a Refinaria de Petróleo de Moscou, localizada no distrito de Kapotnya, marcando a segunda investida contra o complexo industrial em menos de uma semana.

 

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que dezenas de drones foram lançados em direção à capital durante a madrugada. Parte dos equipamentos foi interceptada pelos sistemas de defesa aérea russos antes de alcançar seus alvos.

 

“As forças de defesa aérea continuam repelindo um ataque em larga escala”, afirmou Sobyanin.

 

Imagens divulgadas pela imprensa internacional mostram o momento em que explosões atingem a refinaria. Os registros revelam uma densa coluna de fumaça escura saindo do local antes de uma nova detonação atingir um tanque de combustível, provocando danos significativos na estrutura.

 

Além da refinaria, um drone atingiu um prédio residencial em Zhukovsky, cidade situada na região metropolitana de Moscou. Segundo autoridades locais, o imóvel sofreu danos em sua fachada e em algumas sacadas, mas não houve registro de vítimas.

 

Fragmentos de drones abatidos também atingiram outros pontos próximos à capital russa, causando estragos em uma academia, uma instalação industrial, um centro comercial e uma residência.

 

Na região de Rostov, no sul da Rússia, outro ataque resultou na morte de um civil e deixou duas pessoas feridas. O bombardeio também provocou danos em uma locomotiva e incêndios em duas instalações comerciais.

 

O Ministério da Defesa da Rússia informou que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 555 drones ucranianos durante a noite em diferentes regiões do país. Apenas nos arredores de Moscou, cerca de 180 aeronaves não tripuladas teriam sido abatidas antes de alcançar a capital.

 

A nova ofensiva ocorreu apenas dois dias após outro ataque atingir a mesma refinaria. Na terça-feira (16), uma instalação localizada dentro do complexo já havia sido danificada durante uma ação semelhante.

 

Após o ataque anterior, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que as Forças Armadas ucranianas utilizaram armamentos de longo alcance para atingir alvos localizados a aproximadamente 500 quilômetros de distância. Segundo ele, as operações fazem parte da estratégia de pressão sobre Moscou para encerrar a guerra.

 

Nos últimos meses, Kiev ampliou os ataques contra refinarias, depósitos de combustíveis, terminais petrolíferos e instalações militares em território russo. Algumas dessas ações alcançaram inclusive áreas próximas a São Petersburgo.

 

Especialistas apontam que o setor petrolífero representa uma das principais fontes de receita da Rússia, respondendo por mais de um terço do orçamento federal. Por isso, a infraestrutura energética passou a ser um dos alvos prioritários da estratégia militar ucraniana.

 

Os reflexos dos ataques já começam a ser sentidos. No início deste mês, a Crimeia enfrentou escassez de combustíveis e restrições no abastecimento após operações ucranianas comprometerem importantes rotas logísticas da península anexada pela Rússia em 2014.

 

O ataque desta quinta-feira ocorreu em meio a uma intensa agenda diplomática internacional. Durante a cúpula do G7, Zelensky se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o fortalecimento da defesa ucraniana.

 

Após o encontro, o líder ucraniano afirmou ter recebido apoio para ampliar a capacidade dos sistemas de defesa aérea do país e declarou que suas propostas foram recebidas de forma positiva pelo governo norte-americano.

 

Também nesta semana, Trump voltou a defender uma solução negociada para encerrar o conflito, que já entra em seu quinto ano.

 

“A Rússia perdeu um número enorme de pessoas, e a Ucrânia também”, declarou.

 

Enquanto isso, durante reunião de ministros da Defesa da Otan, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, reforçou a necessidade de manter o apoio militar a Kiev e afirmou ter discutido a situação diretamente com Zelensky.

 

“A Ucrânia está indo muito bem”, disse Rutte.

 

Segundo o dirigente da Otan, os aliados continuam negociando o envio de sistemas de defesa aérea, interceptadores de mísseis e outros equipamentos militares para fortalecer a capacidade de resistência ucraniana.

 

As discussões ocorrem em um momento de incerteza entre os países europeus após integrantes do governo Trump sinalizarem a possibilidade de reduzir a presença militar dos Estados Unidos no continente. Apesar disso, Rutte afirmou que os aliados europeus já vêm ampliando seus investimentos em defesa para compensar eventuais mudanças na participação norte-americana.

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