O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil. Em entrevista à revista francesa Le Point, divulgada nesta quinta-feira (1º), o argentino chamou Lula de “ladrão” e o acusou de articular ações contra sua campanha eleitoral de 2023.
Questionado sobre a relação com Lula e a intensa troca de críticas entre os dois, Milei afirmou que o brasileiro deixou a prisão por meio de uma suposta articulação envolvendo um “juiz cúmplice”. A declaração foi feita sem apresentação de novas provas na entrevista.
O argentino também acusou Lula de ter enviado comunicadores e psicólogos a Buenos Aires durante a campanha presidencial de 2023 com o objetivo de realizar, segundo suas palavras, “golpes sujos” contra sua candidatura.
Milei ainda afirmou, sem apresentar provas ou identificar o suposto envolvido, que um estudante brasileiro teria liderado provocações em território argentino e recebido pagamentos do governo Lula.
A declaração faz referência à participação de publicitários brasileiros na campanha de Sergio Massa, adversário de Milei na eleição argentina de 2023. Segundo apuração da CNN Brasil à época, o marqueteiro Sidônio Palmeira, atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, teria sido procurado para atuar na campanha, mas não aceitou e enviou emissários.
Durante a entrevista, Milei afirmou ter esperança na vitória de seu “amigo” Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira de 4 de outubro. Segundo o argentino, a eventual vitória do senador permitiria a implementação de “reformas liberais” no país.
A aproximação entre Milei e Flávio ganhou força em julho, quando o presidente argentino participou, em São Paulo, da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador. Na ocasião, Milei fez um discurso de apoio e afirmou que Flávio seria capaz de enfrentar Lula na disputa presidencial.
O presidente argentino também voltou a defender sua política de restrição à atuação de estrangeiros na Argentina. Ele citou um decreto que prevê medidas contra pessoas acusadas de ataques ao país e afirmou que alguns agitadores teriam deixado o território argentino.
Na entrevista à Le Point, Milei também relacionou o avanço de candidaturas de direita na América Latina ao que classificou como insatisfação popular com o chamado “socialismo do século XXI”.
“Isso reflete o enorme descontentamento do povo latino-americano com o socialismo do século XXI”, afirmou o argentino, segundo a publicação.
Milei também criticou a atuação da ONU na disputa pelas Ilhas Malvinas, defendeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Ele ainda afirmou que pretende disputar a reeleição na Argentina em 2027.



