Os Estados Unidos ampliaram nas últimas semanas sua presença militar na América Latina justamente na reta final para a eleição presidencial brasileira, marcada para este domingo (4). A movimentação inclui a transferência de drones MQ-9 Reaper, equipamentos de vigilância e ataque, do continente africano para a estrutura militar responsável pelas operações americanas na América do Sul.
A transferência foi revelada pela CNN Internacional, que ouviu seis fontes familiarizadas com o planejamento. Segundo a emissora, os drones fazem parte de uma movimentação mais ampla de equipamentos militares para a região, enquanto o governo de Donald Trump anuncia planos para ampliar operações contra o narcotráfico e grupos classificados como terroristas.
Os MQ-9 Reaper são aeronaves remotamente pilotadas de média altitude e longa autonomia, utilizadas pelos Estados Unidos em missões de vigilância, reconhecimento e ataque. A quantidade exata de equipamentos que será deslocada não foi divulgada.
A transferência dos drones acontece enquanto a eleição brasileira entra em sua fase decisiva. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro aparece apertada nas pesquisas de segundo turno, enquanto os mercados de previsão também registram forte oscilação nas probabilidades atribuídas aos dois candidatos.
Ao mesmo tempo, aumentaram as discussões sobre uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. Segundo reportagem da Reuters, autoridades de inteligência brasileiras informaram a delegações da França e da Alemanha que haviam identificado ações de interferência atribuídas aos Estados Unidos e à Rússia. As alegações não foram acompanhadas, na reportagem, de detalhes públicos que permitissem dimensionar essas ações, e Washington não reconheceu as acusações.
A tensão ganhou novo capítulo nesta semana. Na sexta-feira (2), os Estados Unidos suspenderam temporariamente os serviços consulares em sua embaixada e consulados no Brasil, citando questões de segurança. A decisão ocorreu dois dias antes da eleição.
A Austrália também fechou sua embaixada em Brasília na mesma data, após o alerta americano. A Polícia Federal realizou operações preventivas em São Paulo e no Distrito Federal para investigar possíveis ameaças contra instalações diplomáticas americanas. Segundo a própria PF, porém, não foram encontradas evidências que confirmassem a ameaça inicialmente relatada nem identificados suspeitos ligados a organizações criminosas.
O Departamento de Estado americano afirmou que mantém contato com autoridades brasileiras para tratar das questões de segurança, mas não vinculou oficialmente a suspensão dos serviços consulares à eleição brasileira.
A movimentação dos drones ocorre depois de outras demonstrações da presença militar americana na região. Em agosto, os EUA chegaram a planejar uma operação envolvendo bombardeiros B-52 no Cone Sul, acompanhados por aeronaves de apoio e caças de países aliados de Washington. A missão acabou sendo adiada por motivos classificados pelo Comando Sul como outras exigências operacionais.



