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MUNDO Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2023, 16:12 - A | A

Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2023, 16h:12 - A | A

EXTREMA POBREZA

Caravana migrante desafia restrições e ameaças para alcançar fronteira dos EUA

 

Milhares de migrantes convergiram no extremo sul do México, iniciando uma jornada coletiva em direção aos Estados Unidos como resposta à proibição imposta pelas autoridades mexicanas à livre circulação de migrantes. Essa medida tem como objetivo restringir as chegadas à fronteira norte do país.

A caravana partiu da cidade de Tapachula, localizada na fronteira com a Guatemala, cerca de 1.150 km ao sul da capital, e tem como destino a fronteira do México com os Estados Unidos, localizada a quase 3.000 km ao norte. No domingo (24), aproximadamente 10.000 pessoas, representando 24 nacionalidades, incluindo latino-americanos, africanos e asiáticos, começaram a jornada a partir do município no estado de Chiapas.

Luis Rey García Villagrán, diretor do Centro de Dignidade Humana, que acompanha o grupo de migrantes, destaca a diversidade do grupo: “São 24 nacionalidades, principalmente de Honduras, Cuba, Haiti, mas também tem gente da Nicarágua, da Guatemala, El Salvador, República Dominicana, da Colômbia, do Equador, da Venezuela, do Brasil. Temos também iranianos, paquistaneses, hindus, gente da Síria, China, Bangladesh e de vários países da África.”

A decisão de realizar essa travessia surgiu após meses em que o grupo permaneceu em Tapachula enfrentando condições de extrema pobreza. O que começou como uma caravana de 10.000 pessoas cresceu à medida que outros migrantes se uniram durante o percurso, atingindo um total de 14.000 pessoas.

García Villagrán enfatiza a situação precária em Tapachula, onde os migrantes foram negligenciados pelo Instituto Nacional de Migração, motivando a decisão de empreender a jornada. “Estamos no terceiro dia de caminhada e pelo número de pessoas caminhando na estrada costeira de Chiapas, acho que é o maior movimento de seres humanos desta magnitude caminhando juntos.”

Desafios Humanitários e Riscos

Em setembro, o Instituto Nacional de Migrações mexicano suspendeu a concessão de autorizações para circulação pelo país, resultando em uma situação humanitária caótica, conforme denunciado por ONGs em Tapachula. A falta de documentos levou os migrantes a recorrerem a coiotes e traficantes humanos, expondo mulheres e crianças a riscos significativos.

García Villagrán critica a postura do Estado mexicano, afirmando: “O Estado mexicano nos deixou nas mãos do crime organizado, dos cartéis, porque como se negam a nos dar documentos e a cumprir a lei e os regulamentos de migração e de asilo no México, os migrantes decidiram ir embora com coiotes, com traficantes humanos, e isso colocou em risco muitas mulheres e crianças."

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, reconheceu o aumento no fluxo migratório nos últimos meses. Nas últimas semanas, a polícia americana de fronteira relatou uma intensificação, com mais de 10.000 pessoas por dia tentando atravessar para os Estados Unidos. A caravana enfrenta desafios significativos, enquanto busca superar restrições e ameaças para alcançar a fronteira desejada.

 
 

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