A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão preventiva do tenente da Polícia Militar Rennan Albuquerque de Melo, acusado de tentar matar um motorista de aplicativo durante uma briga de trânsito na capital. A decisão foi proferida nesta terça-feira (17) pela juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal.
O caso ocorreu em 19 de dezembro de 2025, no bairro Duque de Caxias, nas proximidades do Shopping Goiabeiras. Segundo as investigações, após uma colisão entre veículos, o policial sacou uma arma e efetuou diversos disparos contra a vítima, que foi atingida na cabeça e socorrida com vida.
De acordo com o Ministério Público, o militar responde por tentativa de homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A defesa pediu a revogação da prisão ou a substituição por prisão domiciliar, alegando questões familiares, como a existência de filhos menores com condições de saúde que exigem cuidados especiais. O pedido, no entanto, foi negado.
Na decisão, a magistrada destacou a gravidade do crime e o risco que o acusado representa. Para ela, o fato de a violência ter ocorrido após uma discussão banal de trânsito evidencia alto grau de periculosidade. Em trecho da decisão, a juíza apontou que a conduta demonstra “desprezo pela vida humana” e ameaça à ordem pública.
“Com efeito, a gravidade concreta da conduta, praticada por um policial militar, que integra a segurança pública, revela altíssimo grau de periculosidade e risco à ordem pública, sobretudo porque sua conduta violenta aparentemente decorreu de simples discussão do trânsito, o que demonstra completo desprezo pela vida humana, pela ordem e pelo cumprimento das leis”, diz trecho de decisão.
Outro ponto considerado foi o histórico do policial. Rennan já havia sido citado em outros episódios de violência, incluindo agressões a um idoso e a um adolescente, além de denúncias anteriores envolvendo condutas violentas.
Diante desse cenário, a Justiça entendeu que permanecem os requisitos para a prisão preventiva e rejeitou a substituição por medidas mais brandas.
"Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de revogação da prisão preventiva de RENNAN ALBUQUERQUE DE MELO e de sua substituição por prisão domiciliar, mantendo-se hígida a decisão anteriormente proferida, por persistirem os requisitos legais que a fundamentam", finalizou magistrada.
O tenente segue detido enquanto responde ao processo, que ainda está em fase inicial e deve avançar com a apresentação de defesa e produção de provas nos próximos meses.


