Durante uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), no final de dezembro de 2025, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, negou o pedido da Polícia Federal (PF) para liberação do acesso ao celular do empresário, conforme determinado no inquérito que corre na Corte. A solicitação foi feita pela delegada da PF, Janaína Palazzo, após o término da audiência principal, já em uma sala anexa.
O advogado de Vorcaro, Roberto Podval, explicou que, apesar da garantia de sigilo absoluto oferecida pela PF, optou por não abrir o sigilo do aparelho por ter “receio de vazamentos” de informações pessoais e privadas que não teriam relação com as investigações. Segundo ele, perguntas do inquérito já tinham sido divulgadas antecipadamente pela imprensa, o que teria comprometido a confiança no sigilo prometido.
O episódio ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de fraudes envolvendo carteiras de crédito e transações financeiras ligadas ao Banco Master. O celular de Vorcaro foi apreendido pela PF como parte das diligências no processo, e a recusa em informar a senha ou permitir acesso ao conteúdo tem gerado debate sobre os limites entre privacidade e a busca por provas em procedimentos judiciais.
Durante a acareação, Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), apresentaram versões divergentes sobre a origem de carteiras de crédito adquiridas pelo BRB a partir de 2025. Enquanto Vorcaro afirmou que parte dos créditos vinha de uma terceira empresa, a Tirreno, Costa manteve que acreditava que os ativos eram originados diretamente pelo Master e só depois geraram questionamentos.
A investigação segue sob sigilo em partes, e autoridades continuam a analisar provas, incluindo o conteúdo dos aparelhos apreendidos por peritos federais designados pelo STF.



