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JUDICIÁRIO Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 10:18 - A | A

Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 10h:18 - A | A

MOVIMENTAÇÕES SOB SUSPEITA

Cunhado de Vorcaro aplicou R$ 26 mi em fundo ligado a Toffoli, aponta Coaf

Documento indica operações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de investigado ligado ao caso do Banco Master

Da redação

 

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações financeiras que somam cerca de R$ 26 milhões realizadas por Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro.

 

Os valores foram aplicados em um fundo que possui ligação com um empreendimento turístico associado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Segundo o documento, no segundo semestre de 2022 Zettel destinou os recursos ao fundo Leal, responsável por controlar o Arleen — que integra a sociedade do Tayayá Resort, localizado em Rio Claro, no Paraná. O empreendimento tem como sócios familiares do ministro.

 

O caso ganhou repercussão após reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelar, em janeiro, que o fundo Arleen — apontado em investigações como parte de um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master — mantinha participação no resort ao lado de dois irmãos de Toffoli.

 

Na época, o ministro atuava como relator de um inquérito que apurava possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira.

 

Após a divulgação das informações, Toffoli deixou a relatoria do processo, que passou para o ministro André Mendonça. A pressão aumentou quando um relatório da Polícia Federal do Brasil mencionou trocas de mensagens entre Vorcaro e Zettel tratando de pagamentos destinados à empresa Maridt, da qual o ministro também é sócio.

 

 

A Maridt foi criada em 2020 e, no ano seguinte, passou a integrar a sociedade do Tayayá Resort. Já o fundo vinculado a Zettel tornou-se participante do empreendimento em 2022.

 

Além das aplicações no fundo, o relatório do Coaf indica que Zettel movimentou aproximadamente R$ 99,4 milhões em suas contas no período analisado.

 

Desse total, R$ 50 milhões correspondem a créditos e R$ 49,4 milhões a débitos. Segundo o órgão, mais da metade desses valores foi direcionada ao fundo Leal.

 

O documento também destaca que as transações registradas não seriam compatíveis com a renda declarada pelo investigado, estimada em cerca de R$ 66,6 mil mensais.

 

A defesa de Zettel não se manifestou sobre o caso. Ele é casado com Natália Vorcaro e já atuou como pastor da Igreja Batista da Lagoinha.

 

O Coaf também identificou pagamentos de boletos em nome da esposa de Zettel, tendo Vorcaro como beneficiário final, sem justificativa aparente. Para o órgão, há indícios de que a conta do investigado teria sido usada para movimentação de recursos de terceiros.

 

Essa suspeita já havia sido mencionada pelo ministro André Mendonça ao autorizar a prisão de Zettel na semana passada. De acordo com interceptações realizadas pela Polícia Federal, o investigado atuaria na gestão de pagamentos para o banqueiro.

 

O relatório ainda aponta movimentações consideradas atípicas, como depósitos elevados por meio de cheques, transferências entre contas da mesma titularidade e pagamentos a pessoas físicas, operações que poderiam dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.

 

 

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