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JUDICIÁRIO Quarta-feira, 24 de Junho de 2026, 10:50 - A | A

Quarta-feira, 24 de Junho de 2026, 10h:50 - A | A

PENA BRANDA

Bióloga é condenada a seis anos de prisão por atropelamento que matou dois jovens

Jurados afastaram a tese de dolo eventual e decidiram pela condenação por crime culposo na direção de veículo automotor

Luana Ogiwara

 

Após quase oito anos de tramitação na Justiça, o caso do atropelamento que matou dois jovens e deixou uma terceira vítima com graves sequelas teve um novo desfecho na noite da última terça-feira (23), em Cuiabá. O Tribunal do Júri condenou a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro a seis anos de prisão em regime semiaberto.

 

A decisão foi proferida ao fim de um julgamento que durou todo o dia e foi conduzido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Capital.

 

Além da pena privativa de liberdade, foi mantida a proibição de dirigir veículos até o cumprimento integral da sentença.

 

Durante a análise do caso, os jurados rejeitaram o entendimento de que a motorista assumiu o risco de provocar o resultado fatal. Com isso, a acusação foi enquadrada como crime culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar.

 

Em depoimento ao júri, Rafaela falou sobre as consequências do episódio em sua vida e confirmou que havia ingerido bebida alcoólica antes de assumir o volante. Ela alegou, porém, ter passado mal em razão do longo período sem se alimentar.

 

Já o Ministério Público sustentou que a conduta da motorista contribuiu diretamente para a tragédia, destacando fatores como o consumo de álcool e as circunstâncias em que ocorreu o acidente. Durante a sessão, o procurador de Justiça aposentado Mauro Viveiros, pai de uma das vítimas, relembrou a gravidade do episódio e cobrou responsabilização.

 

O atropelamento ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, nas proximidades da antiga casa noturna Valley Pub, na Avenida Isaac Póvoas. Myllena de Lacerda Inocêncio morreu enquanto era socorrida para uma unidade de saúde. Ramon Alcides Viveiros chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos. Hya Girotto Santos sobreviveu, porém ficou com sequelas permanentes em decorrência do impacto.

 

As investigações realizadas à época apontaram que a motorista apresentava sinais compatíveis com embriaguez. Após o acidente, ela optou por não realizar o teste do bafômetro.

 

O processo passou por diferentes fases e recursos judiciais ao longo dos anos. Em determinado momento, houve uma decisão favorável à acusada, posteriormente revertida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que determinou a realização de um novo julgamento popular, encerrado agora com a condenação.

 

 

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