O deputado estadual Wilson Santos (PSD) está enfrentando sérias acusações e um possível processo criminal por prevaricação após a Procuradoria Geral do Estado (PGE) decidir representá-lo criminalmente. O motivo da ação é a recusa do parlamentar em entregar ao Ministério Público Estadual (MPE) supostas denúncias envolvendo servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A polêmica teve início na manhã desta quarta-feira, quando o deputado Santos alegou em uma conversa com jornalistas que detinha interceptações telefônicas que indicavam que agentes da SES estavam envolvidos em pedidos de propina. Ele afirmou ter em mãos documentos e gravações que comprovariam suas alegações. "Nós vamos, sim, apresentar à sociedade o tamanho desse rombo. E aproveito aqui os veículos de comunicação para fazer um apelo ao governador: libere a base. Vamos fazer a CPI, porque erros têm. Está claro, está nítido. Se não foi o governador, que ele faça a identificação dos erros, identifique e puna os responsáveis, aperfeiçoe o sistema de controle, qualifique esse gasto para que isso não ocorra mais", declarou Santos. Ele também enfatizou a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a situação na saúde do Estado, reforçando que suas interceptações continham evidências de corrupção. "Nas interceptações que eu tenho, rola propina. Tem nome de servidor, tem percentual, tem tudo isso. Então nós estamos precisando de mais documentos para que o governador se sensibilize e libere a base para assinar e a gente trabalhe durante seis meses nessa investigação", acrescentou. No entanto, a resposta da Procuradoria Geral do Estado não foi favorável às alegações do deputado. Segundo a PGE, se existirem crimes em potencial, como pagamento ou solicitação de propina, não cabe à Assembleia Legislativa analisar e investigar essas supostas faltas funcionais, mas sim, ao Ministério Público Estadual ou à Polícia Judiciária Civil. Em uma interpelação criminal, a PGE solicitou que o parlamentar apresente as denúncias e provas que ele alegou possuir diante da imprensa, além de esclarecer a forma como ele obteve essas informações comprometedoras. A Procuradoria Geral do Estado também destacou que as declarações públicas do deputado, sem que tais informações sejam entregues às autoridades competentes para investigação, colocam sob suspeita mais de 7 mil servidores da Secretaria de Saúde, que desempenham suas funções com responsabilidade em prol dos mato-grossenses. A representação criminal contra o deputado Wilson Santos deverá ser formalizada até o final do dia junto ao Ministério Público Estadual, e ele já foi notificado em seu gabinete para apresentar os documentos perante os órgãos competentes na esfera judicial e administrativa.
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