O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou hoje uma possível intervenção federal no Rio de Janeiro, em resposta à onda de ataques de milicianos que resultaram em incêndios de ônibus e caos na capital fluminense. Durante um café da manhã com jornalistas que cobrem a Presidência da República no Palácio do Planalto, Lula afirmou sua decisão, justificando que não deseja a presença das Forças Armadas em favelas, “brigando com bandidos”. Diante do questionamento sobre ações do governo federal para contribuir no enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro, o presidente reforçou que não planeja decretar uma nova GLO (Garantia da Lei e da Ordem) durante seu mandato. Lula ressaltou: "Eu não quero as Forças Armadas na favela brigando com bandidos. Não é esse o papel das forças armadas. E, enquanto eu for presidente, não tem GLO." Na última segunda-feira (23), pelo menos 35 ônibus e um trem foram incendiados no Rio de Janeiro em resposta à morte de Matheus da Silva Rezende, conhecido como Faustão, um dos líderes da maior milícia do estado. O governo busca uma forma de auxiliar o estado no combate ao crime organizado, porém, ainda não definiu a melhor estratégia. Durante sua transmissão ao vivo na internet, Lula antecipou que pretende enviar as Forças Armadas para atuar de maneira estratégica. Ele planeja direcionar efetivos da Aeronáutica e da Marinha para atuarem em aeroportos e portos, respectivamente. O presidente ainda ressaltou que não pretende realizar uma intervenção como a realizada anteriormente, que segundo ele, não solucionou o problema. "Quando você faz uma intervenção abrupta, os bandidos tiram férias. Quando termina, eles voltam." Em 2018, o então presidente Michel Temer (MDB) decretou intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro. O general Walter Braga Netto foi nomeado para comandar a intervenção. Posteriormente, Braga Netto foi vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) na eleição que perderam para Lula. Neste ano, a Polícia Federal avança na investigação de contratos supostamente ilegais firmados na época da intervenção. Bolsonaro, por meio de suas redes sociais, classificou os ônibus incendiados pela milícia no Rio como um "ato de terrorismo", ressaltando que durante seus quatro anos de governo, não houve ocorrências semelhantes. Apesar disso, Bolsonaro já defendeu a atuação das milícias no Rio. Em 2018, ele afirmou que é a maneira das pessoas se libertarem da violência em suas comunidades. Investigações apontam que Adriano Nóbrega, ex-capitão da PM homenageado por Flávio Bolsonaro, atuava em diversas atividades ilegais, incluindo a milícia, jogo do bicho e homicídios profissionais. O presidente Lula continua discutindo alternativas para lidar com a situação no Rio de Janeiro, enquanto rejeita a abordagem militarizada adotada no passado.



