Um grupo de sete atletas cubanos abandonou sua delegação após os Jogos Pan-americanos de Santiago para tentar permanecer no Chile. Os atletas não regressaram a Cuba e entraram em contato com um escritório de advocacia local para regularizar sua condição de imigração. A Polícia esclareceu que os atletas não estão em situação irregular uma vez que seus vistos ainda estão válidos. Seis jogadoras cubanas de hóquei sobre grama e um atleta da mesma nacionalidade deixaram sua delegação na Vila Pan-Americana, onde os esportistas permaneceram hospedados durante os Jogos Pan-Americanos de Santiago do Chile. Na noite de segunda-feira (6), foi confirmado que eles entraram em contato com um escritório chileno de advocacia para regularizar sua situação de imigração, revela uma reportagem do El País. O Governo de Gabriel Boric informou na manhã desta terça-feira (7) que, pelo menos por enquanto, nenhum deles havia apresentado qualquer tipo de pedido formal para se instalar no país, e que eles possuem vistos de permanência válidos por 90 dias, podendo ser renovados por mais 90, informa a reportagem. "Sempre há preocupação nesses casos ", declarou a porta-voz do Palácio de La Moneda, Camila Vallejo, que é militante comunista. A hipótese que estava sendo cogitada no Chile acabou se confirmando: trata-se uma deserção. Algo que acontece com certa frequência entre os atletas da ilha quando saem de Cuba para competir. A Polícia Investigativa (PDI) esclareceu que os vistos das atletas - referente apenas às seis mulheres - permanecerão válidos até 12 de novembro, de acordo com um comunicado divulgado pela Corporação Santiago 2023, formada pelo Instituto Nacional do Esporte (IND) e pelo Comitê Olímpico Chileno. Nem o governo nem a Organização Esportiva Pan-Americana, conhecida como Panam Sports, confirmaram a informação, uma vez que Cuba também não a oficializou. "Desertaram" Os atletas, porém, entraram em contato com o escritório de advocacia especializado em migração e imigração Hurtado y Bonito Abogados para assumir sua representação legal e poder permanecer no Chile, onde os Jogos Pan-americanos terminaram no domingo (5), afirma o texto do jornal espanhol. O jornalista esportivo cubano Francys Romero foi o primeiro a dar a notícia em suas redes sociais, o que nas horas seguintes obrigou as mais altas autoridades a se ocuparem do caso. No sábado à noite (4), o repórter publicou que seis jogadoras de hóquei "desertaram" da delegação cubana após sua participação e um dia antes do término do campeonato. https://twitter.com/francysromeroFR/status/1720943180932169991?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1720943180932169991%7Ctwgr%5E604431c9488f920d2813f0dd2e82b59dbf22a7f5%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fnoticias.uol.com.br%2Fultimas-noticias%2Frfi%2F2023%2F11%2F07%2Fatletas-cubanos-abandonam-delegacao-apos-jogos-pan-americanos-para-permanecer-no-chile.htm "As jogadoras saíram da concentração ao meio-dia após terminarem o jogo do quinto lugar que perderam para o Uruguai (3 a 0)", escreveu ele no X. O repórter afirma que as atletas em questão são Yunia Milanes (capitã da equipe), Jennifer Martínez, Yakira Guillén, Lismary González, Helec Carta e Geidy Morales. Cerca de 60 atletas cubanos romperam contratos ou abandonaram suas delegações apenas este ano, de acordo com Romero. Em maio de 2021, César Prieto, o melhor jogador de beisebol cubano, também desertou para os Estados Unidos. "Bem-vindos aqueles que vêm ao Chile para contribuir!" De acordo com o El País, o advogado Mijail Bonito deu mais detalhes sobre o episódio na noite de segunda-feira. "Esta manhã, um grupo de atletas da seleção cubana da mesma modalidade [hóquei em campo] nos pediu apoio para permanecer no Chile, depois de terem fugido de sua delegação no último sábado. Diante da situação, decidimos assumir a representação legal dessas atletas", explicou o sócio do Hurtado y Bonito Abogados e ex-assessor do governo conservador de Sebastián Piñera em política de imigração. "O mesmo aconteceu com um atleta cubano, medalhista de bronze nos 400 metros com barreiras no atletismo, que também solicitou a representação do nosso escritório", acrescentou o jurista se referindo ao sétimo atleta nesta situação, Yoao Illas. Bonito acrescentou que o grupo está em boas condições, na companhia de amigos que os receberam. https://twitter.com/danielapenaloza/status/1721693225398718842?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1721693225398718842%7Ctwgr%5E604431c9488f920d2813f0dd2e82b59dbf22a7f5%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fnoticias.uol.com.br%2Fultimas-noticias%2Frfi%2F2023%2F11%2F07%2Fatletas-cubanos-abandonam-delegacao-apos-jogos-pan-americanos-para-permanecer-no-chile.htm A situação, no entanto, causa constrangimentos ao Partido Comunista Chileno, base da coligação presidencial, e que sempre foi um fervoroso defensor do regime cubano. Para alguns líderes políticos de direita, os atletas planejam, portanto, permanecer no Chile para escapar às profundas dificuldades econômicas na sua ilha, acrescenta Naïla Derroisné, correspondente da RFI no Chile. A prefeita de Las Condes, Daniela Peñaloza, integrante do tradicional partido de direita UDI, fez uma oferta pública aos atletas cubanos. "Acabo de contatar o advogado Mijail Bonito para que, uma vez regularizada a situação migratória dos atletas cubanos, eles tenham um lugar em Las Condes onde possam praticar, trabalhar e promover livremente o esporte. Bem-vindos aqueles que vêm ao Chile para contribuir!", escreveu a prefeita de um dos municípios mais ricos de Santiago do Chile e um dos redutos eleitorais da direita. UOL
> Click aqui e receba notícias em primeira mão.