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ECONOMIA Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026, 14:04 - A | A

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026, 14h:04 - A | A

BRASKEM FALIDA

QUEBRADEIRA DO LULA: Mais uma gigante entra com recuperação extrajudicial

Empresa acumula cerca de R$ 56 bilhões em dívidas e busca acordo com credores para reestruturar passivo

Redação

 

A Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas do país, entrou nesta segunda-feira (24) com pedido de recuperação extrajudicial para tentar reorganizar uma dívida estimada em US$ 10,9 bilhões, equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.

 

A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e comunicada ao mercado nesta manhã. O objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar e implementar a reestruturação das obrigações financeiras da empresa.

 

Apesar do pedido, a Braskem informou que a medida tem alcance exclusivamente financeiro e não interfere nas obrigações mantidas com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais, que continuam válidas.

 

A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie diretamente com seus credores e, posteriormente, submeta o acordo à homologação judicial. Caso não consiga obter o apoio necessário, o processo pode evoluir para uma recuperação judicial.

 

Crise se agrava

 

A decisão ocorre após meses de dificuldades financeiras e negociações com instituições credoras. O período de proteção contra cobranças judiciais terminou nesta segunda-feira, sem que a empresa chegasse a um acordo definitivo para reorganizar suas dívidas.

 

O cenário também foi agravado pelo ambiente adverso do setor petroquímico, marcado por excesso de oferta internacional, margens reduzidas e demanda mais fraca.

 

A estrutura financeira da Braskem também sofreu impacto com a elevação dos juros. A Selic, que estava em 2% em 2020, chegou a 15% em março de 2026, aumentando o custo de financiamento da companhia.

 

Outro fator de pressão é o passivo relacionado ao afundamento do solo em Maceió, associado à exploração de sal-gema. O episódio afetou dezenas de milhares de moradores e provocou a desocupação de milhares de imóveis.

 

Pressão sobre credores

 

Nas negociações, bancos teriam exigido garantias envolvendo ativos da companhia e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões. A Braskem, contudo, rejeitou a proposta de novo financiamento.

 

Uma alternativa apresentada pela IG4, uma das controladoras, prevê o alongamento das dívidas por cinco anos e um período de 30 meses de carência para pagamento de juros.

 

O plano não prevê redução do valor principal da dívida nem transformação dos débitos bancários em participação acionária.

 

Crise ultrapassa fronteiras

 

A dificuldade financeira não está restrita às operações brasileiras. Na semana passada, a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, também recorreu à Justiça dos Estados Unidos para iniciar um processo de reorganização financeira por meio do Chapter 11.

 

Com o pedido de recuperação extrajudicial no Brasil, a Braskem passa a enfrentar uma das maiores reestruturações financeiras de sua história.

 

A situação aumenta a pressão sobre a companhia e reacende o debate sobre os impactos da crise financeira e dos passivos acumulados pela empresa.

 

Apesar do tom político do debate, o pedido de recuperação extrajudicial, por si só, não significa falência da Braskem nem comprova relação direta entre a situação financeira da empresa e o governo Lula. A companhia continua operando e busca renegociar suas obrigações com os credores.

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