O Mercado Livre e a Shopee estão entre as empresas que mais movimentam o mercado brasileiro de galpões logísticos, em um cenário de forte demanda por espaços destinados a armazenagem e distribuição. Levantamento da JLL mostra que as duas companhias já somam 1,1 milhão de metros quadrados pré-locados para o segundo semestre de 2026.
A expansão acompanha o crescimento do comércio eletrônico e a necessidade das empresas de ampliar a capacidade de armazenamento e reduzir o tempo de entrega dos produtos. No segundo trimestre, Mercado Livre e Shopee responderam por nove das dez maiores locações de galpões registradas no país, segundo levantamento da Binswanger.
No mercado nacional de galpões logísticos de alto padrão, a taxa de vacância encerrou o primeiro semestre em 5,5%, o menor nível desde o início da série histórica acompanhada pela JLL. A absorção bruta chegou a 2,8 milhões de metros quadrados, enquanto a absorção líquida alcançou 2,1 milhões de metros quadrados no período.
O Mercado Livre liderou as absorções no trimestre, respondendo por 23% do total, enquanto a Shopee ficou com 10%. Fora dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, varejo e comércio eletrônico representaram 49% da absorção bruta registrada no período.
Em São Paulo, principal mercado logístico do país, a demanda também atingiu níveis elevados. A vacância caiu para 4,5% no segundo trimestre, menor índice em 18 anos, segundo a CBRE. O e-commerce e o varejo responderam por 63% das ocupações registradas no estado durante o primeiro semestre.
Entre as operações recentes, o Mercado Livre contratou grandes áreas em condomínios de Guarulhos e Cajamar, enquanto a Shopee ampliou sua presença em Guarulhos. A disputa por espaços modernos ocorre em um momento de oferta mais restrita, aumentando a pressão sobre empresas que precisam garantir áreas próximas aos grandes centros consumidores.
O movimento também tem impacto sobre os preços. Dados da SiiLA apontam que o valor médio de novos contratos de condomínios logísticos chegou a R$ 30,01 por metro quadrado em 2026, maior patamar da série histórica. A vacância dos empreendimentos das classes A+, A e B caiu para 4,42% no segundo trimestre.
Com a expansão das operações de comércio eletrônico, o setor segue atraindo novos investimentos e ampliando a disputa por terrenos e empreendimentos bem localizados. A CBRE projeta a entrega de 3,7 milhões de metros quadrados de novos galpões logísticos no Brasil em 2026 e de 4,1 milhões de metros quadrados em 2027.



