O cenário da eleição presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de atenção nos mercados de previsão. O economista e comentarista Pablo Spyer destacou a mudança nas cotações, que passaram a indicar Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Na consulta mais recente ao Polymarket, Flávio aparece com aproximadamente 58% de probabilidade implícita de vitória, enquanto Lula registra cerca de 43%. O mercado já movimentou mais de US$ 160 milhões no contrato relacionado à eleição presidencial brasileira.
A mudança chama atenção porque, nas últimas semanas, os mercados de previsão passaram por uma alteração significativa. No início de outubro, a Polymarket chegou a apontar 62% para Flávio e 37% para Lula, segundo levantamento publicado pelo UOL. Na mesma ocasião, a Kalshi registrava 61% para Flávio e 40% para Lula.
As cotações dos mercados de previsão, porém, apresentam um cenário diferente do observado nas pesquisas eleitorais tradicionais.
Levantamentos divulgados entre o fim de setembro e o início de outubro mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno. No Datafolha, Lula aparecia com 48% contra 45% de Flávio. Já a RealTime Big Data registrava 46% para Flávio e 45% para Lula, enquanto Atlas/Bloomberg apontava 47,7% para Flávio e 47,6% para Lula.
A diferença ocorre porque mercados de previsão e pesquisas eleitorais medem coisas diferentes. Enquanto pesquisas consultam eleitores sobre intenção de voto, as plataformas de previsão refletem preços negociados por participantes que compram e vendem contratos vinculados a determinados resultados.
A eleição presidencial está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para 25 de outubro. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro chega à reta final marcada por forte proximidade nas pesquisas e oscilações nas cotações dos mercados de previsão.
Assim, a liderança atribuída a Flávio pelo mercado de previsão não representa resultado eleitoral nem garantia de vitória. Trata-se de uma probabilidade implícita nas negociações da plataforma, que pode mudar conforme novas informações, pesquisas e acontecimentos políticos são incorporados pelos participantes.
O dado, no entanto, passou a ser acompanhado pelo mercado financeiro e por analistas como mais um indicador das expectativas em torno da eleição presidencial.



