Tem coisa mais bonita do que descobrir que uma música pode ensinar muito mais do que acordes? No Siminina, em Cuiabá, meninas da unidade Jardim Santa Isabel estão vivendo justamente essa experiência: entre violões, canções e sinais, elas aprendem música e, ao mesmo tempo, descobrem novas maneiras de se comunicar e conviver.
Sob orientação da professora Maria Rosa de Andrade, a querida Tia Rosinha, as atividades combinam o ensino de violão com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A proposta transforma músicas infantis e canções da Música Popular Brasileira em ferramentas de aprendizado e inclusão.
Nas aulas de Libras, entram em cena sinais presentes no cotidiano, como cumprimentar, agradecer e pedir licença. Canções como “O Caderno”, “Baleia” e “Patinho Colorido” ajudam a tornar esse aprendizado mais leve e divertido, aproximando as meninas de uma forma de comunicação que amplia as possibilidades de interação com pessoas surdas.
E se tem música, claro que também tem violão. As participantes começam pelos primeiros passos do instrumento, aprendendo notas e acordes, entre eles dó maior e sol maior, enquanto desenvolvem a prática e a confiança para tocar.
É o caso de Milena Gabriela, que já consegue executar uma música utilizando três notas e sonha alto: quer ser cantora, tocar violão, viajar pelo país e construir uma carreira por meio da música. E ela já sabe exatamente onde essa história começou: no Siminina.
Outra participante, Sophia Ester, também percebeu na prática como o aprendizado pode fazer diferença. Depois de ter contato com a comunidade surda em um evento, ela passou a se interessar ainda mais pela Libras e hoje já domina sinais como “oi”, “com licença” e “obrigada”, além de sinais relacionados a animais.
Para Tia Rosinha, o mais importante é justamente o que acontece para além da música. Segundo ela, as atividades ajudam a desenvolver comunicação, expressão e convivência, mostrando às meninas que aprender uma nova linguagem também é uma maneira de construir pontes.
E o projeto faz parte de uma estrutura maior. Vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, o Siminina atende atualmente 1.402 meninas, de 6 a 14 anos, em 18 unidades de Cuiabá, oferecendo, além de canto e Libras, atividades como balé, matemática, esportes, rodas de conversa, palestras e apresentações.
No fim das contas, talvez esse seja o grande encanto da iniciativa: ali, cada acorde pode virar confiança, cada sinal pode virar uma ponte e cada menina pode descobrir que sua voz, seja cantada, tocada ou feita com as mãos, merece ser ouvida.
Porque quando a música ensina a incluir, ela deixa de ser apenas som. Vira conexão, expressão e possibilidade.



