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EDSON GUILHERME Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026, 13:12 - A | A

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026, 13h:12 - A | A

MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E CULTURA

“Fala, Griô” transforma memórias de personalidades negras de Mato Grosso em uma viagem pela ancestralidade

Websérie estreia neste sábado com quatro episódios e reúne histórias de mestres e guardiões de saberes que ajudam a preservar a identidade cultural mato-grossense

 

Há histórias que não podem se perder no tempo, e há pessoas que carregam dentro de si verdadeiros patrimônios de memória. É justamente para dar voz a essas trajetórias que estreia neste sábado (26) a websérie “Fala, Griô”, produção audiovisual que reúne quatro personalidades negras de Mato Grosso em encontros sobre ancestralidade, território, espiritualidade e os saberes transmitidos entre gerações.

 

Produzida pelo Coletivo Audiovisual Produção em Rota, a série terá quatro episódios, publicados gratuitamente no YouTube, um por dia, até terça-feira (29), sempre às 9h, no horário de Cuiabá. A direção e o roteiro são da jornalista e documentarista Bruna Maciel, enquanto a mediação fica por conta do griô Cristóvão Luiz.

 

E o elenco de histórias é daqueles que merecem ser ouvidos com calma. A série reúne a mestra do siriri Matilde Silva, o babalorixá e Rei do Congo Mestre Toty, a guardiã dos saberes das plantas Maria do Chá e o professor e ex-vereador de Cuiabá Rinaldo Almeida.

 

Mais do que entrevistas, os encontros propõem uma conversa sobre quem são essas pessoas, o que viveram e o que significa envelhecer carregando conhecimentos que atravessam gerações. As lembranças individuais se encontram com a história das próprias comunidades, criando uma narrativa que fala de pertencimento, cuidado, identidade e continuidade.

 

E os territórios também ganham protagonismo. Do quintal de siriri no Parque Ohara ao Quilombo de Mata Cavalo, a produção percorre espaços que ajudam a contar a presença negra em Mato Grosso e mostram como cultura e território estão profundamente conectados.

 

O resultado promete ser daqueles trabalhos que vão muito além da tela. Ao aproximar o audiovisual da oralidade, Fala, Griô registra relatos que poderiam ficar restritos à memória familiar ou comunitária e os transforma em patrimônio compartilhado, uma espécie de arquivo vivo da cultura mato-grossense.

 

E há ainda uma programação presencial que deixa tudo mais especial. Antes mesmo da estreia no YouTube, o projeto realiza sessões nos espaços ligados aos entrevistados, sempre acompanhadas de bate-papo. A primeira acontece nesta quinta-feira (24), no Centro Espírita Pai Xangô, no Jardim Passaredo, em Cuiabá, onde Mestre Toty é babalorixá.

 

Na segunda-feira (28), será a vez do Quilombo de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, receber a exibição do episódio dedicado a Maria do Chá. A sessão, realizada na Escola Estadual Quilombola Tereza Conceição de Arruda, tem previsão de reunir cerca de 180 pessoas entre alunos, professores e funcionários.

 

O projeto foi contemplado pelo Edital Sementes da Ancestralidade – Fomento à Cultura Afro-brasileira, da Fundação Cultural Palmares, e conta com apoio do Comitê de Cultura de Mato Grosso. No fim das contas, Fala, Griô parece partir de uma ideia simples e poderosa: algumas das histórias mais importantes de um povo estão justamente na memória de quem viveu, aprendeu e ensinou.

 

E, quando essas histórias ganham câmera, voz e espaço para circular, quem ganha não é apenas quem assiste. Ganha a própria memória de Mato Grosso, que encontra na tela uma nova maneira de continuar viva.


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