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EDSON GUILHERME Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 11:02 - A | A

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 11h:02 - A | A

MODA QUE VEM DE CASA

De uma máquina de costura dada pelo pai ao pódio mundial: Myllena Nogueira faz história na moda

Mato-grossense de 21 anos conquista medalha de prata na WorldSkills Shanghai 2026 e leva o talento desenvolvido em Cuiabá ao cenário internacional

 

Tem histórias que parecem ter sido costuradas ponto a ponto até chegar a um grande final. A de Myllena Nogueira, de 21 anos, é exatamente assim. O que começou aos 14, dentro de casa, diante de uma primeira máquina de costura presenteada pelos pais e com os ensinamentos do pai, acaba de ganhar um capítulo internacional: a jovem mato-grossense conquistou a medalha de prata em Tecnologia da Moda na WorldSkills Shanghai 2026, na China.

 

E não foi qualquer disputa. A WorldSkills reuniu mais de 1,4 mil jovens profissionais de mais de 70 países, em 64 ocupações, colocando à prova conhecimento técnico, criatividade, precisão, planejamento, produtividade e capacidade de solucionar problemas sob pressão. Myllena terminou entre as medalhistas da modalidade, com o ouro ficando com a chinesa Na Yu.

 

O mais bonito dessa história, porém, está justamente no começo. Antes de Shanghai, grandes competições e reconhecimento internacional, existia uma menina de 14 anos descobrindo o universo da costura em casa. Foi o pai quem ensinou os primeiros pontos e técnicas, uma relação com a máquina que, anos depois, se transformaria em formação profissional e em uma conquista que atravessou fronteiras.

 

Hoje, aluna do Senai Porto, em Cuiabá, Myllena representa uma nova geração que encontrou na educação profissional um caminho para transformar habilidade em carreira. Antes de embarcar para a China, ela passou por uma preparação intensa, com treinamentos, avaliações e simulações dos desafios que encontraria no mundial.

 

Durante os quatro dias de competição, os participantes precisaram interpretar projetos, escolher materiais e ferramentas e executar tarefas dentro de padrões internacionais. Não bastava saber costurar: era preciso unir técnica, criatividade, precisão, produtividade, segurança e controle do tempo.

 

E Mato Grosso fez bonito em Shanghai. Myllena integrou a delegação brasileira de 71 competidores ao lado de outros quatro representantes do Estado, que disputaram modalidades como construção em concreto, marcenaria de estruturas e tecnologia de veículos ferroviários.

 

A medalha também coloca mais um capítulo na história de Mato Grosso na WorldSkills. O Estado já havia conquistado resultados em edições anteriores, incluindo ouro e bronzes em Abu Dhabi, em 2017, e bronze em Lyon, em 2024. Agora, a moda entra novamente nessa coleção de conquistas, pelas mãos de uma jovem cuiabana que começou aprendendo dentro de casa.

 

E vamos combinar: existe algo especialmente elegante nessa história. Enquanto as grandes semanas de moda apresentam tendências, grifes e superproduções, Myllena chegou ao palco internacional levando aquilo que existe de mais essencial na moda: conhecimento técnico, criatividade e habilidade para transformar tecido em criação.

 

Da primeira máquina de costura ao pódio mundial foram sete anos. Sete anos de aprendizado, preparação e dedicação que agora ganham uma medalha de prata e, certamente, muitos novos capítulos.

 

Porque algumas histórias começam com um simples ponto. E, quando a pessoa sabe costurar sonhos junto com ele, podem acabar bordando o nome de Mato Grosso no mundo.


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