Quando uma mulher entra em uma passarela carregando muito mais do que uma faixa, o concurso ganha outro significado. É exatamente essa proposta que Ana Karolina Zamar leva ao Miss Golden Brasil, onde representa Mato Grosso com uma trajetória construída entre a música, a comunicação, o desenvolvimento humano e o trabalho com a voz.
Professora de canto e cantoterapeuta, a cuiabana chega à competição nacional em um momento de expansão profissional e vê o universo miss como uma grande vitrine para apresentar um trabalho que já desenvolve há anos. Para ela, estar ali não significa apenas disputar uma coroa, mas ampliar o alcance de mensagens e projetos que considera importantes.
E se existe algo que combina com Ana Karolina é justamente a palavra voz, em todos os sentidos. A preparação para o concurso envolve cuidados físicos e estéticos, mas também muita atenção à oratória, ao autoconhecimento e à comunicação. Afinal, para quem trabalha diariamente com a voz, saber se expressar com clareza e emoção também faz parte da própria essência profissional.
Representar Mato Grosso também tem um sabor especial. Nascida em Cuiabá, Ana Karolina encara a oportunidade como uma forma de levar para o cenário nacional um pouco da identidade, da cultura e da força do Estado onde construiu sua história.
Nos bastidores dessa caminhada, há ainda uma rotina intensa. Entre aulas, atendimentos, gestão do espaço de desenvolvimento vocal, academia, compromissos do concurso e família, o gerenciamento do tempo virou um dos grandes desafios. E, nessa jornada, ela conta com o apoio do melhor amigo e assessor, Wesley, além da inspiração diária das filhas.
Mas talvez seja justamente aí que esteja o grande charme dessa história: Ana Karolina não quer vestir um personagem para entrar em cena. Ela pretende levar para o concurso aquilo que já construiu fora dele. A autenticidade, segundo ela, é uma das principais ferramentas para atravessar um ambiente marcado por padrões e competição.
E é na cantoterapia que essa trajetória ganha ainda mais propósito. Entre os projetos que pretende dar visibilidade está o trabalho voltado a mulheres vítimas de violência doméstica, utilizando a música e a expressão vocal como instrumentos de expressão e reconstrução emocional.
A proposta transforma a tradicional imagem da miss e coloca em primeiro plano uma mulher com profissão, história, maternidade, projetos e causas. A própria Ana Karolina define a mulher que pretende representar em três palavras: autêntica, resiliente e transformadora.
E se vier a coroa, ela pretende fazer dela um instrumento para ampliar ainda mais esse trabalho. Mas, independentemente do resultado, a experiência já representa uma nova janela para sua trajetória, com a expectativa de criar conexões, ampliar sua visibilidade e levar sua mensagem a um público maior.
No fim das contas, talvez seja justamente essa a beleza da história: a coroa pode até ser o símbolo do concurso, mas a voz é o verdadeiro acessório que Ana Karolina pretende levar para o palco.
E ela chega pronta para mostrar que, quando arte, voz e propósito caminham juntos, a passarela pode se transformar em muito mais do que um desfile. Pode virar espaço para contar uma história, representar um Estado e abrir caminho para novas possibilidades.




