Uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam perceber a atuação do crime organizado nos bairros onde vivem. O percentual representa cerca de 68,7 milhões de pessoas e evidencia um crescimento significativo em relação ao levantamento anterior, divulgado em outubro do ano passado, quando 19% dos entrevistados relataram conviver com a presença dessas organizações.
De acordo com o estudo, 51% disseram não identificar a atuação de facções criminosas na vizinhança, enquanto 7% não souberam ou preferiram não responder. Entre os que percebem a presença do crime organizado, 43% classificam essa atuação como pouco visível, 21% como visível e 25% como muito visível.
O levantamento, intitulado “Os gatilhos da insegurança”, foi divulgado no domingo (10) e realizado pelo instituto Datafolha. Ao todo, foram ouvidas 2.004 pessoas em 137 cidades brasileiras. A pesquisa apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os dados indicam que a percepção da atuação do crime organizado é ainda mais intensa nas capitais, onde 56% dos entrevistados afirmaram notar a presença das facções. Já nas regiões metropolitanas, o índice chega a 46%.
Além da percepção, o estudo destaca mudanças no cotidiano da população afetada. Entre os entrevistados que convivem com essa realidade, 81% afirmam ter medo de ficar no meio de confrontos armados, 75% dizem evitar determinados locais e 71% temem que familiares se envolvam com o tráfico de drogas. Outros 64% relatam receio de sofrer violência ao denunciar atividades ilegais.
A influência das organizações criminosas também alcança relações de consumo e prestação de serviços. Segundo a pesquisa, 12,5% dos entrevistados afirmam contratar serviços como internet, energia e abastecimento de água por imposição do crime organizado. Já 9% relatam se sentir obrigados a adquirir produtos indicados por essas facções.
O levantamento reforça o avanço da presença do crime organizado em diferentes regiões do país e evidencia os impactos diretos na sensação de segurança e na rotina dos brasileiros.



