Uma ação registrada na madrugada de 28 de janeiro levantou suspeitas, revolta popular e abriu investigação policial no Paraná. O desaparecimento de quatro cães comunitários que viviam no Centro de Distribuição do Mercado Livre, em Araucária, se transformou em um dos episódios mais recentes de grande repercussão envolvendo proteção animal e responsabilidade corporativa.
Os animais, castrados, microchipados e cuidados há meses por trabalhadores e protetores, desapareceram de forma repentina. Imagens de segurança indicam que um veículo ligado à empresa circulou pela cidade de Campo Largo por volta de 1h40 da madrugada do mesmo dia do sumiço, o que intensificou suspeitas de uma possível remoção irregular.
Segundo denúncias relatadas por funcionários e moradores, os cães teriam sido capturados durante uma ação considerada de “higienização”. Testemunhos citam uso de enforcadores e retirada forçada dos animais, que teriam sido colocados em um veículo Fiat Fiorino e levados para destino desconhecido, pontos que ainda são investigados oficialmente.
Versão oficial e contradições
Após questionamentos públicos, a empresa informou inicialmente que os cães teriam sido encaminhados para uma ONG. Porém, apurações posteriores indicaram divergências entre a versão apresentada e os animais efetivamente recebidos pela entidade, ampliando a desconfiança da comunidade e gerando protestos em frente à unidade da empresa.
Dois cães foram localizados
Dias depois, equipes do projeto Paraná Contra Maus-Tratos iniciaram diligências após relatos apontarem possível abandono em Campo Largo. Durante as buscas, dois dos quatro cães foram encontrados e colocados em segurança, enquanto outros dois seguem desaparecidos.
A investigação ganhou força após análise de imagens de câmeras que registraram veículo ligado ao centro logístico circulando na região onde os animais foram localizados.
Investigação policial e mobilização social
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da retirada, transporte e possível abandono dos animais, situação que pode configurar crime ambiental conforme a legislação brasileira.
O caso continua mobilizando moradores de Araucária e Campo Largo, que auxiliam nas buscas e repassam informações às equipes de proteção animal e às autoridades.
Repercussão política e medidas internas
O episódio ganhou repercussão política e social, mobilizando parlamentares, protetores independentes e movimentos de defesa animal. Paralelamente, a empresa informou o desligamento de funcionários que teriam participação direta ou indireta no caso, medida ligada a uma apuração interna ainda em andamento.



