O Banco Central do Brasil aprovou, em julho de 2025, a transferência do controle do então Banco Voiter para o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mesmo já tendo conhecimento de indícios de fraudes relacionadas a operações de crédito consignado. A decisão foi tomada poucos dias depois de a própria autoridade monetária comunicar ao Ministério Público Federal suspeitas de irregularidades envolvendo instituições financeiras ligadas ao grupo.
Na época, o Banco Central já havia identificado movimentações consideradas atípicas e incompatíveis com a capacidade financeira das entidades envolvidas, especialmente na negociação de carteiras de crédito consignado que somavam bilhões de reais. Técnicos do órgão apontaram sinais de possível fabricação de créditos e inconsistências na origem dos recursos utilizados nas operações.
Apesar desse cenário, o BC autorizou a mudança de controle do Voiter, que havia sido adquirido pelo Banco Master meses antes. Após a transferência, a instituição passou a operar com o nome de Banco Pleno, voltado principalmente ao atendimento de empresas.
Augusto Lima é apontado como personagem relevante no esquema investigado envolvendo o Banco Master, alvo de apurações por suspeita de fraudes em larga escala no mercado de crédito consignado. As investigações avançaram nos meses seguintes e resultaram em operações policiais, prisões temporárias e medidas cautelares contra executivos ligados ao banco.
Depois do aprofundamento das apurações, o Banco Central determinou o afastamento de Augusto Lima das atividades de gestão da instituição, embora o banco tenha continuado em funcionamento. O caso, no entanto, levantou questionamentos sobre os critérios adotados pela autoridade monetária para autorizar mudanças societárias em instituições financeiras sob suspeita.
O episódio também ganhou repercussão por contrastar com outras decisões tomadas no mesmo período, quando pedidos semelhantes de transferência de controle envolvendo ex-integrantes do Banco Master foram negados pelo próprio Banco Central, sob alegação de falta de comprovação da origem dos recursos e da capacidade financeira dos envolvidos.
As investigações seguem em andamento e fazem parte de um contexto mais amplo que levou à liquidação do Banco Master e à apuração de possíveis prejuízos bilionários ao sistema financeiro.



