A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro divulgou nesta quarta-feira (18) uma nota pública em que classificou como “ofensiva” a utilização de símbolos relacionados à fé cristã e à instituição familiar em uma ala do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio de Janeiro.
No enredo da escola, uma das alas representou uma “família tradicional” dentro de latas de conserva — parte de uma crítica aos grupos que a agremiação definiu como contrários às pautas do governo federal. Essa escolha gerou críticas de diversas lideranças e entidades, que consideraram a representação desrespeitosa às convicções religiosas e aos valores familiares.
Na nota, a Arquidiocese afirmou que manifestações culturais devem respeitar “convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”. A igreja afirmou ainda trabalhar com famílias e apoiar “as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna”.
Segundo a instituição religiosa, a liberdade de expressão deve caminhar “lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo”, e ressaltou a importância de convívio pacífico entre fé, família e cultura na sociedade.
Além da nota da Arquidiocese, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) também se manifestou, classificando o episódio como “intolerância religiosa” e “preconceito dirigido aos cristãos”, em referência à mesma ala do desfile que apresentou a imagem da família em conserva.
Autoridades políticas também reagiram à alegoria. O governador Romeu Zema criticou a representação nas redes sociais, afirmando que “família não é instrumento político, não é fantasia”, em referência à imagem da família tradicional dentro da lata de conserva.
A polêmica se soma à ampla discussão sobre os limites entre expressão artística, crítica social e respeito às crenças religiosas em eventos públicos de grande visibilidade, como o Carnaval, que mistura tradição cultural e atração popular no Rio de Janeiro.



