Delator diz que grupo queria responsabilizar Zaqueu por grampos

Delator diz que grupo queria responsabilizar Zaqueu por grampos

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O tenente-coronel da Polícia Militar José Henrique Costa Soares, que denunciou o plano para tentar atrapalhar as investigações sobre os grampos, afirmou que sofreu pressão por parte dos suspeitos para apontar, no relatório do Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso, que todos eles seguiam ordens dadas pelo coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM em Mato Grosso que está preso por participação no esquema desde maio deste ano.

Soares foi escrivão do IPM e é testemunha nas investigações sobre as interceptações clandestinas operadas por policiais militares e que tiveram como alvo centenas de pessoas entre 2014 e 2015.

O depoimento dele levou à prisão oito suspeitos de participação na trama, no dia 27 de setembro, durante a Operação Esdras, da Polícia Civil, e que estão sendo investigados por suspeita de participação no esquema de interceptações clandestinas. Atualmente, ele está afastado da função por recomendação médica.

Em entrevista exclusiva à TV Centro América, o policial afirmou que foi procurado pelo grupo para ajudá-los a tentar atrapalhar as investigações e afastar o desembargador Orlando Perri, que era relator do inquérito dos grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Agora, as investigações terão continuidade no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o tenente-coronel, o major da Polícia Militar, Michel Ferronato, que atuava como assessor do ex-secretário estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, prometeu a ascensão ao cargo de coronel caso ele ajudasse o grupo e a ‘blindar’ o ex-secretário, inclusive apontando no relatório do IPM que os investigados estavam seguindo ordens do coronel Zaqueu.

“Deixaram na conta do coronel Zaqueu, porque eles também faziam parte, mas estavam no meio, enquanto o Zaqueu e o [cabo] Gerson [Correa] estavam na ponta do esquema”, afirmou.

Conforme o policial, a determinação do grupo era de que a prisão preventiva do ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Airton Siqueira, “jamais poderia acontecer, porque o grupo ficaria fragilizado”. Siqueira foi preso durante a operação Esdras, assim como Rogers Jarbas, o major Ferronato e outros cinco investigados.

STJ investiga

As investigações que corriam pelo TJMT serão conduzidas pelo STJ, por indícios de envolvimento do governador Pedro Taques (PSDB) no esquema.

“Eu acredito que essas pessoas, lá no STJ, vão falar o que aconteceu. E eles seriam muito inteligentes se falassem, porque eles foram usados. A instituição da Polícia Militar foi usada. Mas o que a sociedade precisa entender é que a grande massa da PM, assim como do Ministério Público, é composta por pessoas dignas”, afirmou.

Escolta

Desde que denunciou o esquema, o tenente-coronel anda escoltado por nove policiais militares.

Outro lado

A defesa do ex-secretário Rogers Jarbas disse que a menção do nome dele “é temerária e despropositada” e que ele não teve participação ou conhecimento de nenhum ato para obstruir a Justiça. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do coronel Airton Siqueira.

O cabo Gerson Correa confessou à polícia a participação no esquema, detalhando como os grampos funcionavam e qual era o objetivo inicial: espionar coligações durante a campanha para o governo do estado em 2014. De acordo com ele, o esquema foi financiado pelo advogado Paulo Taques, primo e então coordenador de campanha do governador Pedro Taques.

O advogado Paulo Taques nega participação no esquema. Já a Polícia Militar disse que instaurou procedimentos investigativos para apurar a conduta dos militares e que muitos deles foram concluídos e os relatórios, encaminhados ao Poder Judiciário.

Grampos

O esquema foi denunciado à Procuradoria-Geral da República pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi secretário de Segurança em 2015. Ele diz que recebeu denúncia do caso naquele ano e que alertou o governador Pedro Taques.

Agora, a PGR investiga se Taques sabia do crime e de quem partiu a ordem para as interceptações. O governador, por sua vez, nega que tinha conhecimento sobre o caso.

Segundo consta na denúncia, políticos de oposição ao atual governo de Mato Grosso, advogados, médicos e jornalistas tiveram os telefones grampeados.

Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o envolvimento de policiais militares. O resultado dessa investigação, porém, não foi informado pelo governo até hoje.

Denúncia do MP

Em julho deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, e os coroneis Evandro Lesco e Ronelson Barros (ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar,) o tenente-coronel Januário Batista, e o cabo Gerson Correa Junior por participação no esquema de grampos. Eles foram acusados de ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação

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