Cotidiano

Mocidade Independente Universitária: a Escola de samba criada por pesquisadores, alunos, professores e técnicos da UFMT

Acervo Fapemat

A primeira escola de samba de Cuiabá nos moldes cariocas surgiu dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Apesar de não existir mais, a escola de samba Mocidade Independente Universitária marcou época e revolucionou o carnaval cuiabano a partir de 1976. O fundador, já falecido, foi o professor de Educação Física João Batista Jaudy. O professor aposentado de Física, Abílio Camilo Fernandes, foi um dos presidentes e contou um pouco sobre esse momento peculiar da cultura local.

Segundo Abílio, a Mocidade Independente Universitária foi a primeira e única escola de samba de uma universidade na região e sua existência levou para as ruas da cidade famílias que antes só aproveitavam a festa dentro dos clubes. A agremiação era de grande porte e assim como as escolas do Rio de Janeiro, seus participantes demoravam quase um ano para organizar todo o aparato com direito a carro alegórico, abre-alas, bateria, mestre-sala e porta-bandeira e, claro, as baianas.

A escola existiu durante 15 anos e foi campeã do carnaval de Cuiabá por 10 vezes.

A escola tinha enredos próprios que retratavam a realidade local. Eles eram criados por um dos compositores da famosa escola de samba Beija-Flor, cuja rainha de bateria, a mulata Piná, também marcou presença na Capital. Carregando o nome da UFMT, Abílio conta que esse “peso” obrigava a escola a fazer um trabalho de qualidade. Nos 15 anos de sua existência, ela foi campeã 10 vezes. A escola funcionava dentro da Universidade e só foi ter sede em 1984. A maioria dos componentes da escola eram alunos, técnicos e professores da UFMT, mas a participação era aberta a toda a sociedade.

O professor avalia que com o fim da escola as famílias tradicionais de Cuiabá deixaram de frequentar o carnaval de rua. O grupo que tocava a escola não foi renovado com o passar dos anos. Sem um líder compromissado com a continuidade das atividades, as pessoas que ainda tinham gás para desfilar na avenida migraram para a escola de samba Unidos do Coxipó. “O ponto fundamental era que uma instituição de ensino estava fazendo o carnaval. Os participantes mudaram a cultura e a alta classe cuiabana foi para as ruas”, relembra Abílio.

(Com Fapemat)

Publicado em : 17/02/2012 às 15:38

Veja também


Comentários (0)

Faça seu comentário