Folha 3

Anselmo Parabá é soul, é Mandala

A black music de Anselmo Parabá viajou para a capital brasileira e voltou sinalizando inovações sonoras. O vocalista do Mandala Soul fez cursos na Escola de Música de Brasília neste mês e planeja com sua banda um novo repertório, que será lançado em março, marcado pelo samba, funk e eletrônico. Ele conversa com o Folha3 sobre as contribuições musicais que recebeu na viagem e seus projetos para o ano que começa.

APERFEIÇOAMENTO

Parabá estudou na Escola de Música de Brasília entre os dias dois e 22 de janeiro. Um dos cursos foi sobre canto popular, ministrado pela professora Suely Mesquita, que é cantora, preparadora vocal e compositora. Ele conta que a atuação de Suely indicou caminhos técnicos de potencialização vocal além de trazer à tona a necessidade de preparo para as demandas do mercado nacional.

Com o baixista Itiberê Zwarg Pascoal exercitou a prática de conjunto, testando e enriquecendo arranjos e explorando a criatividade e experimentalidade musical. Zwarg trabalha há 36 anos com o músico Hermeto Pascoal, tendo tocado em várias partes do mundo, usando a sua experiência para a realização de oficinas em todo o país.

“Foi uma experiência muito boa. O curso foi maior neste ano do que nos anteriores e pudemos ter uma vivência estendida com os conteúdos e os professores. Em Cuiabá, às vezes perdemos a referência de exigência do mercado nacional e esse tempo foi uma oportunidade de aprender com músicos da mais alta qualidade que estão dispostos a transmitir o conhecimento que têm”.

Ele fez ainda dois shows na Escola, abertos para a comunidade acadêmica e sociedade em geral. Num deles, levou ao palco um repertório de tributo a Tim Maia e em outro músicas próprias que fazem parte das apresentações do Mandala. Também se apresentou em praças e pubs da cidade, sendo convidado a retornar já em março.

“As apresentações foram muito bem recebidas. Fiz o show com músicas do Tim com músicos de todo o país e lotamos o auditório. A nossa música tem um campo muito grande na cidade e recebeu boas críticas da imprensa.”

NOVO TRABALHO

A banda lança em março um novo repertório e passa por um processo geral de reformulação impulsionado pela inclusão de novas influências musicais e novos integrantes. Roberto Viana e Henrique Malouf passam a participar do conjunto, enquanto Wellington Andrade e Danilo Bareiro saem. “Aproveitando a deixa da renovação da banda, quisemos trazer uma proposta musical nova também”

O novo trabalho tematiza as várias esferas da vida cotidiana agregando batidas eletrônicas a sonoridades mais orgânicas. O samba funk e samba rock ganham destaque na atual fase. “É sobre o cotidiano da cidade, do amor, das relações, do trabalho, de tudo”.

A releitura vem acompanhada de um novo visual da banda, que apresenta no repertório canções autorais e releituras. “As pessoas confundem o cover e a releitura, são coisas diferentes. A releitura traz novos arranjos e concepções produzindo versões. É o que queremos fazer, dando uma sonoridade black a músicas que não são imaginadas nesse estilo”.

Após o lançamento, a banda circula pelo Brasil se apresentando nos circuitos e festivais que se multiplicam. O músico volta ainda a Brasília com os demais integrantes do grupo para fazer shows em março e maio.

AÇÃO SOCIAL

O aprendizado que veio de Brasília vai ser direcionado também para o trabalho social que a banda mantém em parceria com empresas e órgãos públicos mato-grossenses, o Instituto Mandala. Criado em 2006, no bairro Tijucal, a iniciativa objetiva atuar na vida de crianças ,jovens e adultos em situação de risco através da música.

Atualmente, o Instituto desenvolve projetos com dois grupos de percussão, ambos em Várzea Grande. Um é feito junto à comunidade ‘Vida Serena’, assistindo adultos dependentes químicos. O outro leva o nome de ‘A arte substitui o crime’ e é realizado com menores infratores assistidos pela Justiça através de uma oficina que incentiva a produção autoral dos alunos e realiza apresentações de suas criações.

“A proposta é fazer com que essas pessoas acreditem que podem ter uma vida diferente. Com as mulheres do ‘Vida Serena’, vamos fazer uma apresentação especial para o Dia da Mulher. Observamos também que antes o número de fugas dos que estavam em tratamento era grande e diminuiu com o projeto”.

O Instituto encerra o ano com um grande show totalmente autoral em novembro, que traz alunos fazendo música em um cenário que se valerá de materiais vindos do lixo.

Andreza Pereira/ Jornal Folha do Estado

Publicado em : 28/01/2012 às 10:50

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