Cotidiano

Jovens se mobilizam pelo meio ambiente

Eles fazem do voluntariado e da mobilização coletiva os instrumentos para a preservação ambiental. O Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Mato Grosso planeja as suas ações para 2012. Criado em 2003 e presente em vários pontos do Estado na forma de coletivos municipais, o grupo está aberto para novos membros e prevê a diversificação de suas ações passando a realizar sessões de cinema ambiental, oficinas de inclusão digital e construindo uma loja virtual para a venda de produtos ecológicos.

O jornal Folha do estado conversou com dois jovens que fazem parte desse Coletivo Estadual. Elizete Gonçalves e Kembolle Amilkar falaram de sua motivação para entrar no grupo, da recente aprovação do novo Código Florestal e da necessidade de maiores discussões sobre a conservação natural em Mato Grosso. “Permanecemos ainda no senso comum ao acreditar que basta trabalhar na reciclagem de lixo ou fazer horta comunitária em escolas para dizer que estamos realmente preocupados com o meio ambiente”, diz Elizete.

HISTÓRICO E IDENTIDADE

Os Coletivos Jovens de Meio Ambiente, presentes em todo o país, têm origem na I Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, realizada em Brasília em 2003. Eram no início Conselhos Jovens, que após a conferência, tornaram-se coletivos. “Percebeu-se ao longo desse encontro inicial que a temática socioambiental exercia forte mobilização e interesse entre a juventude e que poderia abrir canais de atuação política e transformação ecológica”, explica Elizete.

A integrante, que é bióloga, ingressou no grupo em 2006, quando começava a sua graduação. “Reconheci no Coletivo um espaço em que poderia colocar em prática não só os conhecimentos que adquiri na faculdade, mas minha cidadania. É muito difícil ficar indiferente à causa ambiental cursando uma graduação como a minha. Mas acredito que pessoas de qualquer área de conhecimento devem se mobilizar pela questão”.

Kembolle vem, por exemplo, das Ciências da Computação, participando das atividades há cinco anos. “Fui convidado por amigos a integrar um encontro sobre o meio ambiente em Tangará da Serra e senti afinidade pela ideologia que o grupo segue, que valoriza o coletividade e o trabalho democrático”.

Os coletivos são grupos informais, estruturados de forma horizontal, sem a figura de um líder ou coordenador. Os membros dos vários estados do país se articulam em torno de uma rede: a Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rejuma), que abriga ainda organizações de juventude de outros países da América Latina. A Rejuma fomenta a criação de novos coletivos locais num processo de capilarização política e empoderamento da juventude. “Assumimos claramente o papel protagonista dos jovens como sujeitos sociais que atuam e intervêm no momento presente e não apenas num futuro próximo em que se tornarão adultos”, reforça Elizete.

AÇÕES

Os coletivos atuam através de oficinas, palestras, construção de agendas ambientais, reuniões de estudo, caminhadas ecológicas e outras atividades por vezes voltadas aos próprios membros e por vezes junto à sociedade civil. Em 2011, o Coletivo Estadual promoveu encontros, seminários e conferências para a discussão da temática ecológica além de realizar trilhas no Parque Mãe Bonifácia.

Os grupos de Cuiabá e Várzea Grande estão organizados por núcleos temáticos, que dividem diferentes frentes de ação entre seus membros. O Núcleo Água está envolvido no fortalecimento interno do Coletivo e na formação de novos. O Núcleo Ar se encarrega da comunicação entre os coletivos do Estado, o terra da organização do banco de dados e o fogo, por fim, da articulação política do grupo, promovendo parcerias com ONG’s, secretarias e outras organizações. Essa mobilização política é vista como fundamental por Elizete. “Buscamos o apoio do poder público e também editais na área ambiental para a juventude. É uma forma de ativarmos nossa participação política e exigir respostas do governo a nossas demandas socioambientais”. A articulação ocorre por meio de reuniões presenciais feitas uma vez ao mês e virtuais através do MSN dos coletivos.

Faz parte de suas ações o acompanhamento das decisões políticas locais e nacionais sobre o meio ambiente. O grupo não vê positivamente a aprovação do novo Código Florestal no final do ano passado. Elizete sintetiza a posição: “Somos contra este processo de revisão do Código, visto que muitas pesquisas e relatos apontam que ela abre margem para a destruição da natureza. E nós não fomos inseridos nas discussões para a sua aprovação. O movimento não teve espaço e nem voz.”

NOVOS MEMBROS

Pessoas interessadas em contribuir com as ações dos coletivos podem entrar em contato com os membros pelo e-mail: coletivojovembaixadacuiabana@googlegroups.com. Mais informações estão disponíveis ainda nos sites http://coletivojovem-mt.blogspot.com/ e www.rejuma.org.br. Pessoas de qualquer idade podem participar, mas certas ações e participações em conferências são condicionadas para jovens de 15 a 29 anos.

Para os jovens ouvidos pelo Folha3, a mobilização ambiental é uma reposta necessária às demandas de nosso contexto histórico. “Necessitamos urgentemente que a população abra os olhos quanto à questão Meio Ambiente e Gestão Pública. Temos altos índices de queimadas e é necessário cobrar providencias das autoridades responsáveis”, finaliza Kembolle.

“Não podemos reduzir as questões ambientais a ações apenas pontuais, nem só à escola. É um dilema da sociedade, vivemos uma crise ambiental de que ainda não nos demos conta. Estamos experimentando com mais força as calamidades naturais, a escassez de água potável, o aquecimento global, o derretimento das calotas polares, a destruição de muitas florestas... O desenvolvimento sustentável vem para manter a economia em pé, não vejo que trate realmente das sociedades e da nossa manutenção neste planeta”, completa Elizete.


Andreza Pereira

Publicado em : 27/01/2012 às 11:07

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