Maggi descarta R$ 12 mi de Odebrecht, mas documentos provam recebimento da propina

Maggi descarta R$ 12 mi de Odebrecht, mas documentos provam recebimento da propina

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Foi só o ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi – ex-governador e Senador licenciado por Mato Grosso -, quebrar o silêncio. Trocar o Facebook e as notas por uma entrevista, que acabou descobrindo o quanto seu ‘telhado é mesmo de vidro’.

Nesta terça-feira (18) depois que concedeu uma entrevista a uma rádio na Capital, descartando quaisquer ligações com ex-dirigentes da Odebrecht, em propina repassada pela empreiteira, para sua campanha à reeleição à Governadoria do Estado em 2006, na ordem de R$ 12 milhões, que apareceram cópias de documentos comprovando ‘a bolada milionária’ da construtora Odebrecht ao ministro do Mapa.

O montante utilizado como “caixa 2” na campanha foram publicados na rede social da ex-secretária de Combate à Corrupção do Estado, Adriana Vandoni.

Maggi está na lista de investigados pelo ministro do Supremo Tribunal Fedral, Luiz Edson Fachin, que autorizou a abertura de inquérito contra ele que, agora, paasa a ser investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Sua entrada na delações dos ‘graúdos’ da Odebrecht, na operação Lava Jato, se deve a pagamento de vantagem indevida do ex-governador, à construtora. Uma relação iniciada ainda em seu primeiro mandato entre 2003 até o final de 2006 e depois no outro mandato com sua reeleição. Uma barganha que resultou no recebimento de R$ 12 milhões em propina, para custear sua reeleição ao Governo do Estado.

Nesta terça, Maggi chegou a dizer na entrevista que jamais pensou em entrar numa lista dessa, como da Lava Jato. ‘Nunca tive relações com eles [ex-dirigentes da empreiteira], nunca mandaram dinheiro para campanha e nunca autorizei ninguém a pedir propina. Esse episódio tem me deixado desconfortável’, declarou.

O progressista ainda chegou a afirmar que estaria juntando dados para comprovar que não teria nenhuma ligação com os delatores. ‘Fui pego de surpresa, estou completamente derrotado internamente. Estou levantando todos os dados para provar que nunca recebi propina dessa construtora’, alegou.

No entanto, Os documentos foram publicados na rede social da ex-secretária de Combate à Corrupção do Estado, Adriana Vandoni, revelam em que base foram realizadas as delações e a acusaçãoa que pesa atualmente contra Maggi.

Nele, [documento], o diretor superintendente para as Áreas Norte, Nordeste e Centro Oeste da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira e o diretor de contratos da construtora, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, esmiuçam o esquema.

Falam de planilhas e e-mails trocados entre o governo e a empresa, além de demonstrar como foram realizados os repasses para o ex-secretário de Fazenda, Edmilson Santos, o procurador do Estado, João Virgílio, e o procurador aposentado, Francisco Lima Filho, conhecido como “Chico Lima”.

Em um trecho do documento é revelada uma conversa por telefone, onde fica claro, um pagamento para ‘Caldo’, apelido Maggi pelos diretores da empreiteira, em uma referência ao produto’ Caldo Maggi’.

Nas cópias ainda é possível identificar os supostos beneficiários pelos apelidos, confirmados pelos delatores Pedro Leão e João Pacífico, “Caldo” (Blairo Maggi), “Cofrinho” (Edmilson dos Santos), “Careca” (João Virgílio) e “Manhoso” (Chico Lima).

As planilhas demonstram o crédito de R$ 33 milhões, pago pelo Estado à Odebrecht para quitar uma dívida adquirida entre os anos de 1980 e 1999. Os repasses seriam feitos entre os anos de 2006 e 2007.  Conforme o documento, Maggi teria recebido 36,36% do montante, o que equivale aos R$ 12 milhões. Ele é identificado, além do apelido, por ser o “representante principal local”.

Os demais receberam 1% do montante a ser pago à construtora, ou seja, R$ 330 mil foram repassados a Edmilson, Virgílio e Chico Lima, identificados como “estratégico local”, “estratégico do projeto na capital” e “estratégico do projeto no local”, respectivamente. As planilhas ainda demonstram que os repasses foram feitos de forma parcelada em 2007, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A documentação também traz e-mails trocados entre Leão e outros funcionários da construtora. Como Lúcia Tavares e Ubiraci Santos, cuja comunicação relata ajustes nos pagamentos feitos a Maggi. Tudo era comunicado a João Pacífico, quem autorizava os pagamentos.

Conforme os delatores, o ex-secretário de Estado, Éder Moraes, era quem recebia os valores.  “Pedro Leão foi procurado por Éder de Moraes Dias, possivelmente em abril ou maio de 2006, e que, em reunião no Centro Administrativo, este pediu expressamente o pagamento de propina no valor de R$ 12 milhões, equivalente ao percentual de 35% do crédito da CNO (Construtora Norberto Odebrecht), aproximadamente, a pretexto de contribuição para a campanha de reeleição do Governador Blairo Maggi. O valor, segundo ele, estaria atrelado ao recebimento dos valores pela CNO”, cita o pedido de abertura de inquérito da Procuradora-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

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