Considerando as diferenças

Considerando as diferenças

- em Comportamento
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O convívio em sociedade é e sempre foi um desafio. Quais ideias ou ideais devem reger a vida em grupo? Como conviver com pessoas que nutrem diferentes percepções de como esse convívio deveria acontecer ou sobre a bandeira de quais princípios, sem contudo, se utilizar de instrumentos abusivos de convencimento e persuasão dos outros? Bem, muito disso depende de como enxergamos ou consideramos os outros. Considerar positivamente o outro é uma atitude daquele que pretende entrar em uma relação não abusiva, mas, que inclusive contribua com o desenvolvimento da outra pessoa. É um tipo de atitude em que cabem dois indivíduos, com pensamentos divergentes sobre o mundo e onde o respeito e direito à divergência é preservado. Nesse sentido quanto mais aceitação e apreço sentimos para com o outro, mais se estabelecerá uma relação onde há espaço para os dois. Um tipo de relação onde é possível a coexistência de dois mundos.

Considerar positivamente outra pessoa com aceitação e apreço, é ter um tipo de postura afetuosa de outro ser humano independente de sua condição, comportamentos ou sentimentos. Olhar como alguém separado de nós e que tem direitos de pensar e sentir à sua própria maneira, ainda que discorde completamente delas, significa que poderemos olhar para o que a pessoa pensa, sente e exprime com consideração e respeito independente de quão positivos ou negativos eles sejam. A consideração está fundada no valor da pessoa, e não de suas atitudes, pensamentos ou emoções ou mesmo de quão contraditória é em si mesma.

A aceitação aqui é tida como uma consideração de que se está diante de outro indivíduo, de alguém que se faz pessoa com sentimentos próprios. Não se está aqui querendo aprovar todas as atitudes alheias, se assim o fosse, seria impossível ter esse tipo de atitude para com alguém que cometeu estupro ou violências correspondentes. O ponto é que é preciso aprender a se colocar diante de outro alguém, de literalmente, outra pessoa. Essa consideração afetuosa por esse outro alguém é que deve ser trazida à tona dando ao outro um lugar de segurança, onde o mesmo é querido e prezado como pessoa. Não se trata de aprovar ou não o outro, mas, de se colocar para essa relação.

Quando se busca entrar em uma relação com essa característica envolvida, a possibilidade é grande de que esse relacionamento se torne, ao invés de hostil, apático ou indiferente, um aprendizado mútuo e útil.

Aceitar o outro como alguém separado de nós com os mesmos direitos e deveres, implica em aceitar a mim mesmo da mesma forma. A transparência é algo que se requer nessa relação de aceitação. Transparência com o outro e consigo mesmo.

Quem sabe a promoção e o exercício dessa atitude seja algo que traga sobre a sociedade atual um vislumbre de dias melhores e de respeito mútuo para que a sociedade aprenda a contribuir com o outro e analogamente, consigo mesma.

 

 

Psicólogo João Geraldo de Mattos Neto

Contato: joaogeraldo.psi@gmail.com

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