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Romualdo Júnior sugere extinção da Secretaria de Estado de Cultura. Uma resposta ao sr. deputado
Eduardo Ferreira *
Mais uma vez alguém aparece com a idéia estapafúrdia de extinguir uma Secretaria da Cultura no estado de Mato Grosso. Há poucos dias, Chico Galindo atiçou a classe com a insinuação que poderia extinguir a Secretaria Municipal da Cultura,, agora o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Romualdo Júnior, do PMDB, sugere ao governador que extinga a Secretaria de Cultura do Estado. Só resta lamentar e sentir uma baita saudade do saudoso Ulysses Guimarães, bravo lutador pela democracia nesse país. Incansável debatedor de bom senso e homem de grande senso de liberdade democrática e tudo o mais que isso significa.
Da luta das Diretas Já, do Sr. Diretas, do Sr. Dante de Oliveira, do velho MDB de guerra, até os dias de hoje, o que vemos é um desfilar de políticos desconectados dos sentimentos que vem das ruas e hoje, mais problemático ainda, desconectados da velocidade das redes sociais, na internet, que representam as ruas, as vozes de indivíduos que antes não tinham esses canais de expressão libertária.
Se formos nos ater aos números já é uma goleada de argumentos a favor de se manter políticas culturais efetivas dentro da perspectiva do Estado, pois os avanços são imensuráveis, além das conquistas que podemos mensurar como fortalecimento das chamadas economias criativas, o valor acumulado com os ganhos são amplos e apontam para crescimentos bastante promissores. Desde a criação da Secretaria Estadual de
Cultura e do Conselho Estadual de Cultura, no governo Dante em 1994 que foi pauta de uma luta ferrenha dos trabalhadores da cultura por uma pasta que atendesse demandas cada vez mais crescentes com o advento da democracia, da valorização das vanguardas políticas, e da necessidade de organizar a sociedade para participara ativamente da construção de seus ideais, de suas cidades seus estados, seu país.
Desde a criação e fortalecimento das políticas de cultura em níveis, federal, estadual e municipal, entendemos que o processo seja irreversível, pois estamos diante de um quadro que devemos prestar muita atenção: são quantos mil pontos de cultura espalhados Brasil adentro? Qual a movimentação econômica-criativa que isso representa?
Quais os ganhos? Será que o Sr. Deputado sabia que em todos os países de primeiro mundo, que vocês tanto gostam de alardear como exemplo, têm seus índices de IDH diretamente relacionados à evolução da economia criativa que tem a educação como um de seus pilares, em seus domínios? O desenvolvimento da cultura como indústria gera emprego, renda e oportunidades para milhares de pessoas, pois um teatro que se
constrói é mais produtivo que uma indústria de automóveis. Saiba que o cinema, o teatro e a música são capazes de movimentar muito mais pessoas e fazer girar a roda da economia com muito mais eficiência e retorno. Além do que é uma indústria que educa e prepara as pessoas para pensar escolher e tomar decisões na vida de uma forma inteligente e consciente. Não polui, não agride nada nem ninguém, ao contrário, prepara as pessoas para a tolerância, para a solidariedade, para o amor.
Analisando os resultados da pesquisa de produtividade elaborada pela FIESP e publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 23 de setembro de 2005, em artigo de Marcelo Billi, do qual citamos alguns trechos,podemos perceber que existe uma relação direta entre o crescimento econômico e o desenvolvimento da economia criativa, precisamos caminhar a passos largos para acompanhar o ritmo dos outros países: “A competitividade brasileira continua baixa, mostra estudo divulgado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A pesquisa analisou os dados de 43 países que, juntos, representam 95% da economia mundial. O Brasil ficou quase na lanterninha, na 39ª posição do ranking elaborado pela Fiesp.
Os 43 países foram divididos em quatro grupos. O de produtividade elevada é liderado por EUA, o primeiro do ranking. A Dinamarca, no 12º lugar, lidera o grupo considerado de competitividade satisfatória. Países como Itália, China, Portugal, Rússia e Argentina têm
competitividade média. Por fim, o grupo do qual faz parte o Brasil inclui países como Chile (34º lugar) e México (36º).”
Ora, a criatividade se apresenta como um recurso de crucial relevância na atual fase da economia capitalista, e é preciso estar atentos par o fato de que as grandes cidades tendem a concentrar grande parte da produção da economia criativa. Estamos às vesperas de um evento de porte mundial e essa proposta caminha ao contrário daquilo que esperávamos.
Para lançar uma proposta dessa o Sr deputado tem a obrigação de, no mínimo, convocar audiências públicas e debater tal proposta com a sociedade, pois corre o risco de marcar um governo que tem premissas democráticas com o ranço das direitas mais rançosas da história política do Brasil e de Mato Grosso, isso é intolerável. Que se melhore a gestão então, que possamos desenvolver mecanismos mais dinâmicos de cobrar respostas dos gestores, se não serve, que saia dali e dê lugar para outro. Nisso o Sr Governador do Estado devia tomar coragem e fazer sua administração andar. O que não pode é sacrificar um segmento que estava se organizando e que de repente pode ver tudo ir por água abaixo. Cadê as Conferências de cultura, municipal, estadual e federal? Nada está funcionando, o poder público tem que caminhar ao lado da sociedade! Cadê o Fórum de Cultura que não
se manifesta mais? Então, é hora de rever conceitos e fazer a carruagem andar. Dos dois lados, ou dos dez mil lados que uma mesma questão envolve. E aí não tem lado certo. Estamos no mesmo bojo, entre caminhar a passos largos para o futuro ou vermos nossos caminhos se fecharam pela falta de visão estratégica de nossos gestores e trabalhadores da cultura ao analisar os dados que a história nos oferece.
* Eduardo Ferreira é artista multimídia, ativista cultural e editor do caderno Folha 3
Publicado em : 22/02/2012 16:28
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