Adolescência e trabalho (parte II)

Adolescência e trabalho (parte II)

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Angústia é conhecida como a sensação psicológica caracterizada pela insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. É também uma emoção que precede algo, um acontecimento, uma ocasião ou circunstancia.

Alguém já disse que diz que viver é necessariamente sofrer, e isso pode explicar os sentimentos dos jovens quando sentem a necessidade de decidir seu futuro, ou em outras palavras, sua profissão.

A possibilidade de escolha muitas vezes é oferecida a indivíduos de classe média ou alta. No entanto, a estes jovens também pode ser negado o direito de escolha, visto que seus pais, economicamente estáveis, já traçaram seu futuro, escolhendo para eles o que acham que é melhor.

Estes adolescentes, vítimas das exigências familiares, grupos de amigos e da sociedade vêm-se incapacitados de agir frente aos desejos dos outros. Diante disso, eles tendem a mascarar seus desejos e assumir como ideal para si aquilo que a sociedade julga correto e, aos olhos de muitos, as profissões supostamente com mais possibilidades econômicas como medicina, direito ou administração para trabalharem e assumirem os negócios da família.

Já os adolescentes que têm uma condição socioeconômica baixa se frustram ao perceber que na grande maioria das vezes apenas terminarão o ensino médio e dificilmente ingressarão em uma faculdade, tão pouco escolherão a profissão que julgam ser melhor.

Eles contam com um futuro já pré-determinado, ou seja, seguirão as profissões de seus pais ou familiares. É bom lembrar que estes adolescentes precisam trabalhar desde cedo para ajudar no sustento de casa, e acabam no meio de duas alternativas: trabalhar e estudar ou apenas trabalhar. Mesmo os que sonham com um futuro diferente para eles, acabam sendo ridicularizados pelos colegas e não são levados a sério pela família. São baixos os números de adolescentes de classes economicamente baixa que ingressam na faculdade e menos ainda os que conseguem concluí-la.

O capitalismo traz também angústias com ele. Os adolescentes sofrem ou por ser economicamente favorecidos e por isso vêem-se incapacitados de escolher pelo próprio desejo, ou ainda, por serem economicamente desfavorecidos e desta forma se vêem, num certo sentido, obrigados a abandonarem seus sonhos por força das circunstâncias. Enfim, a angústia é algo que está estabelecido nessa fase da vida humana.

 

Mudanças históricas na escolha da profissão

Muitas mudanças históricas, sociais e políticas ocorreram através dos tempos levando a uma nova concepção sobre a escolha da carreira que o indivíduo ira seguir. Dentre as coisas que trazem influência na escolha de um emprego seria além das questões sociais também as habilidades e aptidões, interesses, dons “vocação” de cada indivíduo, mas essa idéia surgiu somente com a chegada do capitalismo, antes disto muitos defendem que as pessoas determinavam sua profissão pelos laços de sangue, ou seja, sua ocupação era ditada pela família, sendo então os filhos de servos sempre servos e filhos de senhores sempre senhores. No capitalismo o indivíduo não é mais determinado pela sua família, mas pelo trabalho que exerce, ou seja, vende a sua mão de obra para conseguir sobreviver decidindo sua profissão independente da posição social de sua família, um filho de operário pode ser um, médico, psicólogo enfim o que quiser desde que estude e trabalhe.

A escolha da profissão sem dúvida é um momento importante, porém um momento de muito conflito para o jovem já que essa decisão pode mudar toda a sua vida. Nestes conflitos o jovem se pergunta: Mas será que realmente irei gostar desta profissão? Será que irei ter uma realização financeira e profissional ao mesmo tempo? Muitas são as dúvidas até mesmo porque na sociedade capitalista é através do trabalho que se produzem o capital “dinheiro” e onde o indivíduo ira passar a maior parte do seu dia-a-dia.

Assim o jovem começa a construir seu futuro através de várias combinações. A escolha profissional seria uma delas, e por isso tão difícil, mas considerando que apesar de ser de grande importância, esse fator não é exclusivo e determinante, pois a escolha profissional pode a qualquer momento ser alterada.

 

Psicólogo João Geraldo de Mattos Neto

Contato: joaogeraldo.psi@gmail.com

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