346 atores dão um show de interpretação em Autos da Paixão de Cristo

346 atores dão um show de interpretação em Autos da Paixão de Cristo

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Com pelo menos dez mil mil expectadores por cada dia do espetáculo – o espetáculo Auto da Paixão de Cristo, em Cuiabá -, utiliza-se de 346 atores entre amadores e profissionais que vêm atuando na peça durante as seis noites.

A longa salva de palmas após o final de cada encenação do espetáculo demonstra a emoção pela história cristã. Mas também o reconhecimento a toda equipe que após um trabalho duro pode oferecer uma encenação considerada o segundo maior espetáculo a céu aberto do Brasil.

Na sua 10ª edição, a encenação do Auto da Paixão de Cristo ainda conta com a participação do ator Henri Castelli no papel de Jesus Cristo, pela segunnda vez no espetáculo em Cuiabá.

Realizado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas) desde 2007, o espetáculo, nesses 10 anos, cresceu e se sagrou como um dos grandes espetáculos brasileiros a encenar a morte e ressurreição de Cristo.

Esse ano, o evento gratuito ocorre entre os dias 11 e 16 de abril, no Memorial João Paulo II, Sesi Papa, na Morada do Ouro. Os portões são abertos as 17h para o acesso a praça de alimentação, feira de economia criativa e brinquedos, esse último gratuito. A peça Auto da Paixão de Cristo começa às 20h.

Entre as atrizes que não esconde sua profunda emoção de fazer parte desta encenação grandiosa, está Isabela Cristina, de 15 anos, que sobiu no palco pela primeira vez. A jovem cursa o 1º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Liceu Cuiabano e não pensou em uma carreira artística por conta da timidez, na verdade anseia em ser médica. Mesmo como foco na medicina, reconhece que as lições apreendidas nas oficinas do Grupo Cena Onze e a participação na peça já melhoraram a sua articulação e interação. Ela conta que sempre se emociona com a deferência recebida da plateia.

Todos os 200 atores amadores passam por capacitação para atuar, as aulas são ministradas pelo diretor do Grupo Cena Onze, Flávio Ferreira. Ela conta que todos os envolvidos na peça recebem certificado, vale transporte, vale alimentação e cachê. “Eu vejo a cultura e a arte como uma ferramenta de educação. Todos são remunerados e tratados com respeito e dignidade, eles podem aprender algo. Sejam profissionais ou amadores, é uma oportunidade coletiva”, disse Flávio Ferreira.

O ator Henri Castelli, que interpreta Jesus Cristo na peça, conhece bem a importância da oportunidade. Natural de São Bernardo do Campo, interior de São Paulo, o veterano conta que sempre tenta ajudar os mais jovens. E também elogia a iniciativa do Governo do Estado na inclusão de grupos do interior. “Eu entendo a realidade e a dificuldade em ingressar na carreira artística. É por isso que essa oportunidade é tão importante. O teatro ajuda a pessoa em tantos aspectos, mesmo que ela não queira seguir essa profissão”, comentou Castelli.

Esse ano o Auto da Paixão de Cristo conta com mais 40 atores de grupos teatrais dos municípios de Jaciara, Barra do Garças, Barra do Bugres e Novo Xingu, que foram inseridos na encenação. O ator Caique Gonçalves de 18 anos participa da Companhia de Arte Trapézio de Jaciara.

Ele conta desejava ser ator e a primeira oportunidade surgiu em um teste na Diretoria de Cultura de Jaciara em 2014. De lá pra cá, o jovem ajudou na formação do grupo que se transformou em Organização Não Governamental (ONG) e expandiu as ações.

Encenando a peça ao lado de alguns colegas do grupo, Caique conta que se sente chancelado como profissional, e a participação dele e de outros colegas é o reconhecimento da competência do grupo teatral. Um dos exemplos seguidos por Caique é o ator profissional Marcos Alessandro de 26 anos. O ator cuiabano está há sete anos na encenação do Auto da Paixão, e esse ano segue para o Rio de Janeiro, onde atuará em papel de destaque em um filme nacional.

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