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Mundo
Da Redação/Agência Brasil
Divulgação
O presidente brasileiro citou sua relação "estável" com presidentes extremistas para apoiar discurso

Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e a Palestina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15) que não se lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a empresários, em Jerusalém, segundo a BBC Brasil. “Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém”, disse o presidente.

Bem-humorado, o presidente arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de Israel, Shimon Peres, ao dizer que no PT há divergências que causam inveja em qualquer um. “Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado. Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo”, acrescentou ele.

Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao norte-americano que o Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria. “Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone”, ressaltou.

Segundo Lula, todos devem tentar acabar com as divergências e buscar o acordo. Como exemplo, citou o impasse com a Bolívia, quando o presidente Evo Morales impôs resistências à atuação da Petrobras no seu país. “O primeiro discurso foi tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com eles”, frisou o petista.

Em seguida, o presidente lembrou a pressão que sofreu para ser mais incisivo com o governo Morales. “Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e hoje estamos numa relação excepcional”, disse.

Para o presidente, o esforço do Brasil é para buscar o bem-estar da região, sem isolar um ou outro nem adotar medidas que beneficiem apenas os brasileiros.  "A nós brasileiros não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar cercado de gente mais pobre que você de todos os lados”, afirmou Lula.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que durante a reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz. “Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se discutir esses detalhes”, afirmou o diplomata.

Lula conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

Publicado em : 15/03/2010 às 16:03 Editado em: 15/03/2010 às 16:05
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