Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010
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Política
Carol Sanford - REPORTAGEM LOCAL
Josi Pettengill

Apesar de afirmar que tem boa relação com o senador Jayme Campos (DEM), chegando a defender que será melhor para o senador o apoio à candidatura de Mauro Mendes (PSB) ao invés de apoiar o PSDB, pois as siglas vivem embate histórico, e elencar que Campos será o condutor do movimento, com lideranças jovens, o deputado estadual Percival Muniz, em verdade, tem interesse no tempo de propaganda na televisão que o DEM possui. Pois a aliança Mato Grosso Muito Mais, liderada pelo PSB, PPS e PDT, conta apenas com partidos nanicos, cuja expressão é mínima, assim como o tempo na TV. O parlamentar disse que vai procurar o senador para discutir a questão, e que será melhor para o DEM, segundo Muniz.

Folha do Estado: O senhor foi enquadrado pelo Roberto Freire, por conta da decisão de apoiar a candidatura do Mauro Mendes.
Percival Muniz: Não diria enquadrado, porque tive uma conversa muito boa com o Roberto. Ele ficou preocupado porque alguns militantes nossos informaram a ele que estou conduzindo o partido sem muito debate, mas é que o pessoal de esquerda tem a tradição de passar três dias discutindo um assunto, para decidir depois em meia hora, e tenho levado a executiva de forma mais pragmática objetiva, sou meio arredio ao debate e nesse ponto fui enquadrado. Sou pragmático, tem que fazer, vamos fazer.


Folha do Estado: Foi tudo acertado com o Freire. Por que todo esse desentendimento com a executiva nacional?
Percival Muniz: Tudo foi decidido, mas essa candidatura do Mauro, esse projeto, está despertando o interesse de muitos outros grupos políticos e também muita preocupação. Então, por exemplo, o PSDB, que tem um projeto nacional, quer que o PPS apoie o Serra em nível nacional e isto está em discussão, o partido ainda não definiu, mas vamos estar marchando juntos com o PSDB em nível nacional e, se for possível, seguir essa orientação no Estado. Mas o PSDB demonstrava desprezo pelo PPS, apoiamos a candidatura do prefeito Wilson em Cuiabá, mas depois da eleição o PPS não fazia falta. Aí quando definimos apoiar a candidatura do Mauro Mendes, eles entraram em desespero. Então, além de articular em nível nacional, porque tem boas relações com o Roberto Freire, também estão articulando aqui no Estado.


Folha do Estado: O vereador Ivan Evangelista chegou a defender o apoio a Wilson Santos. O partido está com dificuldades de unificar o apoio?
Percival Muniz: Mas foi porque agora está sendo assediado. É natural. Ontem tivemos uma reunião do diretório regional e uma reunião com o Roberto e fizemos dois compromissos, eu com ele e ele comigo. Primeiro, ele fez o compromisso comigo e me disse que todo mundo que me ligar eu vou repetir a mesma coisa, a decisão de quem apoiar e como apoiar vai ser de Mato Grosso e não vai ter intervenção, ele disse que teremos toda a autonomia e vamos decidir. Segundo, ele quer um compromisso meu, compromisso de que vou ampliar o debate. E eu disse, pronto! Já está ampliado, faço hoje, debate é comigo mesmo. Aí já convoquei uma reunião, já marcamos um encontro do diretório todo para o dia 15 de março, vou fazer um encontro dos militantes, vereadores, prefeitos também, até o final de março. Depois não tem problema, reunião eu também gosto. Então isso eu atendo o Roberto, ampliar o debate. Pra não ficar o vereador liga pra ele e diz “o Percival decide sozinho e não traz o debate”. Ele não quer ouvir mais isso.


Folha do Estado: O senhor admite que existe uma divisão interna no PPS?
Percival Muniz: Não diria que tem uma divisão. O PPS vai buscar, pela decisão de sábado, consolidar um projeto do partido. Vamos ter candidato a senador, vamos ter candidato majoritário. Posso ser senador, vice ou o que for necessário. Vamos ter até o final de março para apresentar o projeto para a sociedade. Então, esse processo envolve militantes, dirigentes e também candidatos. Montar chapa estadual, montar chapa federal e chapa de possíveis representantes para a majoritária. Esse é o processo que vamos fazer. E a outra coisa é com quem vamos aliar. Se nós não vamos sozinhos, com quem nós vamos. Majoritariamente liderado por mim, eu defendo a união com o bloco Mato Grosso Muito Mais. Mas vou reconhecer que existem lideranças que defendem o apoio ao prefeito Wilson Santos.


Folha do Estado: Como será o apoio a Mauro, se o PPS vai apoiar o Serra para a Presidência?
Percival Muniz: O PPS vai apoiar o Serra, se estiver com o PSDB. Vamos ter quatro presidentes em nosso palanque. Provavelmente o PV apoiando a Marina, PPS apoiando o Serra, PDT apoiando a Dilma e se o Ciro confirmar o PSB apoia o Ciro. Vamos repetir aquela candidatura do Dante, quando tinha o Ulisses, Covas e Brizola. Então ele recebia cada um e tal e nós vamos fazer a mesma coisa. Por exemplo, PPS vai ter candidato a senador, então vou estar recebendo a fazendo os atos e defendendo o candidato a presidente. Enfim, cada um faz o seu. Nós vamos priorizar Mato Grosso porque a eleição nacional é importante, mas o Estado tem uma influência muita pequena na decisão nacional. Candidato a presidente vem uma vez aqui. Temos que priorizar é a discussão de projeto do Estado. Os compromissos com a população, as eleições. Termina o debate em si, 90% ocorrendo com as questões locais. E cada um apoia seu candidato a presidente.


Folha do Estado: E em relação ao PSB? Acabaram os problemas? Porque o próprio Valtenir tem discutido a vaga para vice na chapa de Silval Barbosa.
Percival Muniz: O Valtenir tinha um perfil histórico da eleição passada, que poderia ser vice. Mas hoje já está totalmente unificado e o Mauro teve o cuidado de, além do apoio do PSB, também foi em Brasília e contatou uma empresa de marketing nacional, que vai dar suporte. Então o Mauro hoje tem apoio de cima embaixo. Então não tem mais problema, nem no PSB, que tá unificado. O Mauro vai ter o apoio tanto estadual como nacional para ser candidato. O PDT, tivemos uma reunião com Pivetta e está tudo bem, sem problema. E o PPS também.

Folha do Estado: Então está certo que o Mauro é candidato?
Percival Muniz: O Mauro é candidato, vocês vão ouvir isso dele. Já estamos providenciando a contratação da estrutura de marketing para não fazer isso de última hora. Temos pouco dinheiro, vamos falar a verdade, não temos nada. Então, o partido nacional o que pode ajudar, vai entrar com a estrutura de marketing. É isso que estamos estudando, já estamos elaborando um plano de governo. Já começamos a embalar e vamos preparar um calendário de visitas ao interior do Estado.


Folha do Estado: Existe uma conversa de que o Pedro Taques poderia se filiar ao PPS para uma disputa ao Senado. Seria o senhor e ele encabeçando uma disputa nesse sentido?
Percival Muniz: Quando conversei com o Pedro Taques, tínhamos terminado a reunião do regional e aproveitei para marcarmos uma reunião, que será na quinta-feira desta semana, e aí estaremos conversando aqui. Ele tem sinalizado a disposição de disputar uma vaga no Senado. Estive com ele, uns três meses atrás, fizemos uma análise política do Estado. Ele disse que o projeto o agrada muito, nos parabenizou e adiantou que não vai para o PPS nem autorizou ninguém a falar disso, em conversa com o nacional. O Pedro só vem para o PPS em conversa comigo. Acho que ele é um mato-grossense que trabalhou muito pelo Estado, tem uma bagagem muito forte e sinto que Cuiabá, que já projetou tantos lideres tanto no Estado, como no país, Pedro Taques pode ser uma revelação política e um orgulho da comunidade de ter um filho tão preparado e destemido e disposto a participar do processo eleitoral.


Folha do Estado: Apesar do apoio a Mauro, o senhor tem muita proximidade com o senador Jayme Campos. Não seria mais fácil apoiá-lo se for candidato?
Percival Muniz: Sou um cara otimista, tenho boa relação com Jayme, participamos de campanhas, nas duas do Blairo Maggi estivemos juntos. É leal, decente, é político simples e é um homem de palavra. Vou procurar o Jayme porque acho que ele está fazendo falta no nosso movimento. Essa disputa dele com o Wilson nessa frente, não acredito que o PSDB vá apoiá-lo. O Wilson já está até preparando para renunciar e vai ser candidato. Então, com Jayme ou sem Jayme ele vai ser candidato e Jayme sabe disso, porque é muito bem informado. Segundo, ele tá na metade do mandato, então vindo para nosso projeto, vai ser nosso maior partido. Um partido estruturado no Estado vai ser o condutor desse movimento, que busca englobar as mais diferentes frentes do Estado e não precisa apoiar o candidato do governo e que praticamente rompeu e afastou e nem precisa juntar DEM e PSDB, que historicamente no Estado vai ter dificuldades de explicar essa união. Se brigaram tanto no passado, porque estão juntos hoje? E com Mauro Mendes é um movimento amplo. Acho que é bom para o DEM, até porque temos espaço para que eles disputem vaga de senador, de vice, eles tem perfil, tem nomes para vaga majoritária, tem uma bela chapa estadual e federal. E ao mesmo tempo vai permitir que o Jayme tenha um grupo de jovens para ele liderar e conduzir em MT.


Folha do Estado: O senhor fala com muita certeza que Mauro será vencedor. Por que?
Percival Muniz: Temos uma pesquisa, o próprio governo tem essa pesquisa qualitativa, que o Mauro vai ser o governador.

Publicado em : 08/02/2010 às 10:57
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