O apresentador e ex-deputado estadual Walter Rabello poderá ser condenado pela Justiça por tráfico de influência (artigo 322 do Código Penal). Ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por participar da organização do empresário Júlio Uemura, acusado de chefiar uma estrutura que aplicava golpes financeiros, ameaças e extorsão.
A denúncia foi aceita pela Justiça e a ação está sob responsabilidade do juiz José Arimatéa Neves Costa, da 15ª Vara Criminal de Cuiabá. Se condenado, Rabello poderá cumprir de 2 a 5 anos de reclusão e multa.
Segundo denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), Rabello exercia influência "política em benefício do grupo criminoso liderado" por Uemura. Na denúncia, o Gaeco afirma que Rabello possui estreita relação com Uemura, a quem "pede benção e chama de ‘chefe' e ‘padrinho'".
Empréstimos
Em um dos telefonemas interceptados pelo Grupo de Atuação Especial, o ex-deputado (cassado por infidelidade partidária) afirma a Uemura que levará uma situação, referente a uma suposta perseguição de um fiscal contra o grupo, ao conhecimento do secretário de Estado de Fazenda.
Em outras conversas, o ex-deputado diz receber empréstimos financeiros de Uemura, doação de cadeiras de roda para o seu programa na TV, além de ter empregado pessoas em seu gabinete, quando deputado, indicadas pelo empresário.
"Nesse contexto, foram interceptadas conversas telefônicas que deixam evidente, isso sem sombra de dúvida, a troca de gentilezas entre o deputado Walter Rabello e o seu padrinho Júlio Uemura", afirmou.
Segundo o Gaeco, numa das conversas, ocorrida em 11/12/2007, às 11:14 horas, Rabello, após solicitar apoio financeiro, ressalta que colocará à disposição do empresário uma vaga de assessor direto em seu gabinete na Assembléia Legislativa. Em outro diálogo, no dia 19/10/2007, às 11:15 horas, Rabello, após relato sobre a sua vontade de governar Cuiabá, afirma que Uemura "é quem irá administrar" a capital.
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