O presidente do PMDB de Mato Grosso, deputado federal Carlos Bezerra, negou em entrevista para a Folha do Estado que seu partido esteja ávido por cargos na administração estadual e que teria inclusive entregue uma lista de nomes para ocupar cargos de primeiro escalão do governo, assim que seu correligionário, o vice-governador Silval Barbosa assumir o comando do Estado, em 31 de março. Apesar disso, o dirigente peemedebista confirma que ainda vai discutir com Barbosa o espaço do partido no governo. Polêmico, Bezerra afirma que se for necessário Silval Barbosa vai trocar todo o secretariado estadual e que as áreas mais frágeis da atual gestão são: segurança, saúde e social. Para ele, Silval precisa dar identidade própria à sua gestão.
Folha do Estado: Como o senhor está analisando o desempenho da pré-candidatura do vice-governador Silval Barbosa (PMDB) à sucessão estadual?
Carlos Bezerra: Na avaliação do PMDB as coisas estão indo muito bem, acima das expectativas. De acordo com as pesquisas realizadas pelo partido, o Silval já está com 20% das intenções de voto. O que chama atenção é o seu crescimento na Baixada Cuiabana. Portanto, a situação é tranquila e tende a melhor ainda mais quando começar a campanha. Com esse quadro favorável, entramos agora em outra fase, as das conversações com os partidos. Nossa intenção é montar um grande arco de alianças.
Folha do Estado: Como andam as negociações com os partidos?
Carlos Bezerra: Muito bem! Com o PR e PT a aliança está confirmada. Com o PC do B está praticamente definido também. Já com o PSB as conversas avançaram muito nos últimos dias e a aliança deve ser confirmada em breve.
Folha do Estado: Eles [PSB] devem inclusive indicar o vice na chapa de Silval Barbosa?
Carlos Bezerra: Talvez sim. Mas temos também uma conversa com o PP e eles também podem indicar o candidato a vice-governador.É importante ressaltar, que independente de quem indicar o vice, todos os partidos com quem estamos conversando serão importantes no processo de consolidação da candidatura de Silval. Quando as alianças foram de fato definidas, a candidatura do vice-governador vai ganhar um volume muito grande.
Folha do Estado: O senhor acredita que ainda é possível uma aliança com os democratas, mesmo depois deles anunciarem um acordo com o PSDB para o pleito deste ano?
Carlos Bezerra: Temos conversado com o DEM e o senador Jayme Campos vem nos colocando que seu problema é com o governador Blairo Maggi (PR) e não com o Silval Barbosa. Temos plena convicção que a base do DEM, que são os vereadores, prefeitos, deputados estaduais estão conosco, apoiando a candidatura de Silval. Já recebemos inúmeras manifestações de apoio da base partidária. Portanto eu acredito que é aliança com o DEM é possível, até porque tem muito tempo ainda para isso. Muita coisa pode acontecer, principalmente em um processo eleitoral.
Folha do Estado: Diante disso, o senhor não acredita então que a aliança do DEM com o PSDB se concretize?
Carlos Bezerra: Eu acho muito difícil, porque a base do DEM quer vir com o PMDB, com Silval Barbosa. Pelo menos é o que eles demonstram.
Folha do Estado: Na fase de negociação com os partidos, já foi discutido nomes para ocupar a vice de Silval Barbosa?
Carlos Bezerra: Não discutimos nomes e nem existem um ainda. Tudo que apareceu na mídia não passa de especulações. O nome do vice deve surgir até maio, antes disso não. A vaga de vice pode ficar com o PP, PSB ou DEM.
Folha do Estado: Como contemplar na majoritárias todos os partidos aliados, uma vez que só tem os cargos de vice e suplentes de senador disponíveis para negociar?
Carlos Bezerra: É possível contemplar todos sim. Os espaços no governo estadual também farão parte das negociações.
Folha do Estado: Como é o senhor avalia a pré-candidatura do prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB) ao governo do Estado?
Carlos Bezerra: O prefeito Wilson Santos vem trabalhando para ser candidato e tudo indica que será. Acho que ele tem boas condições eleitorais em Cuiabá, mas no resto do Estado ele terá muitas dificuldades, porque o PSDB não existe no resto de Mato Grosso.
Folha do Estado: Mesmo sem o apoio do DEM, o senhor acredita na viabilidade da candidatura do prefeito Wilson Santos?
Carlos Bezerra: Sim. Só acho que ele terá dificuldades para compor a chapa majoritária expressiva, por falta de quadros. Ai, nosso coligação sai da frente, porque temos bons quadros para a majoritária.
Folha do Estado: Apesar de tudo isso, o senhor acredita que Wilson Santos é um candidato forte e que dará muito trabalho para Silval Barbosa? O PMDB teme o prefeito tucano na disputa pelo Palácio Paiaguás?
Carlos Bezerra: Não acho que ele seja, mas em qualquer eleição é preciso respeitar o adversário. Menosprezar o concorrente é um erro muito grande, que não se pode cometer em política.
Folha do Estado: O Silval Barbosa assume o governo em definitivo em março, diante disso, saiu comentários que o PMDB já teria feito uma lista de nomes do partido para ocupar os cargos de primeiro e segundo escalão do governo. Quais os cargos que a sigla reivindica?
Carlos Bezerra: Dizer que o PMDB está ávido por cargos foi uma plantação maldosa. Esta questão foi plantada por adversários nossos que estão tentando queimar o partido. É bom deixar claro, que o PMDB ainda não procurou o Silval para discutir cargos e nem ele a nós. Vamos conversar sobre isso no momento certo. É natural que o PMDB participe do governo, mas não tem nada definido ainda. Mais importante do que cargos é que Silval Barbosa vai governar pela ótica do PMDB.
Folha do Estado:O senhor acredita que os meses que Silval ficar no governo serão determinantes para a disputa eleitoral?
Carlos Bezerra: Sim. Ele [Silva] vai sinalizar para a sociedade uma série de questões, além de mostrar um outro tipo de governo, preservando o que tem de positivo na atual administração e avançando em outras questões.
Folha do Estado: Quais áreas do governo Blairo Maggi (PR) que precisam avançar, que serão o foco da gestão Silval Barbosa?
Carlos Bezerra: A área social vai precisar de uma atenção especial do Silval. Fora ela podemos citar a segurança e saúde.
Folha do Estado: O governador Blairo Maggi já declarou que é necessário dar continuidade nas ações de governo. O senhor não acha que as mudanças no secretariado estadual pode prejudicar a continuidade dessas ações?
Carlos Bezerra: Claro que não. Há muito lero lero, conversa fiada com relação a isso. O Silval vai assumir com total autonomia para mudar o secretários que achar necessário, até porque todos serão exonerados no dia 31 de março. As mudanças não trará prejuízos nenhum ao governo. É bom deixar claro que o Silval não vai assumir o governo ‘encabrestado’ por ninguém e se for preciso vai trocar todos os secretários. Ele precisa crisar uma identidade própria para sua gestão.
Folha do Estado: O PMDB enfrenta dificuldades com o prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio, que insiste em apoiar para governo o prefeito Wilson Santos. O que o senhor, enquanto presidente estadual do PMDB, vai fazer para rever isso?
Carlos Bezerra: A questão do Pátio não será resolvida agora. O bom esclarecer que o a partido em Rondonópolis está unido em torno da candidatura de Silval. A posição do Pátio é isolada, ele vai acabar se enquadrando.
Folha do Estado: Existe dentro do próprio arco de alianças do governo uma certa resistência com relação ao senhor. Comentam que o senhor poderia inclusive prejudicar eleitoralmente o Silval Barbosa. Como o senhor lida com essas críticas?
Carlos Bezerra: Quem pensa isso, pensa pequeno. Eu incomodo algumas pessoas porque toco em questões essenciais para a população. Eu sou um dos poucos políticos que discuto programa de governo.
Folha do Estado: Isso é que incomoda alguns dos seus aliados?
Carlos Bezerra: É lógico. Tem alguns setores que se sente prejudicado pelo meu estio franco de defender os interesses da população. Essas pessoas que me criticam defendem um governo paternalista e de apadrinhamento.
Folha do Estado: Mas essa resistência ao seu nome dentro da base aliada não pode prejudicar a candidatura do Silval Barbosa?
Carlos Bezerra: Não vai prejudicar pela força que tem a candidatura do Silval.
Folha do Estado: Essa resistência de alguns republicamos em apoiar a candidatura do Silval já foi superada?
Carlos Bezerra: Quem é o PR? O governador Blairo Maggi, os deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores. Todos estes são favoráveis a candidatura de Silval Barbosa. Quem se posicionou contra é quem não tem mandato, quem não tem mandato não tem expressividade nenhuma.
Folha do Estado: O senhor destinou uma emenda para Cuiabá na ordem de R$ 41 milhões. Estes recursos já estão disponíveis?
Carlos Bezerra: Está para ser liberada. Essa emenda será destinada para várias obras, entre elas a duplicação da estrada do moinho e a pavimentação asfáltica de vários bairros da Capital. Eu até vi várias matérias onde as prefeitura de Cuiabá anuncia que está sendo por ela e com recursos próprios. Isso é uma inverdade. Esses recursos vão melhorar a infraestrutura da cidade, porque a que está ai foi feita por mim há mais de 20 anos, quando eu governador. De lá pra cá, pouco ou quase nada foi feito.
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