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Cidades
Reportagem Local

Os pistoleiros Hércules de Araújo Agostinho e Célio Alves de Oliveira e o advogado Ildo Moreschi vão a júri popular pela mortes dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo. A decisão é do juiz titular da 3ª Vara Criminal de Rondonópolis, Hugo José da Silva. O despacho foi emitido em 30 de junho, no processo número 657/2003. O julgamento deve acontecer quase dez anos depois das mortes. Brandão foi executado a tiros em 10 de agosto de 1999. José Carlos, em 28 de dezembro de 2000. Os assassinatos estariam ligados a uma disputa agrária.

Sérgio Marchett e a filha dele, Mônica Marchett, acusados formalmente como mandantes do crime, não foram pronunciados. O pistoleiro Hércules é réu confesso dos crimes e ratificou em juízo a participação de seu comparsa, Célio Alves. Ambos estão presos na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

As duas vítimas foram executadas em vias públicas por dois homens que ocupavam motos. Os demais envolvidos negam que tenham envolvimento nas ações criminosas.

Consta na denúncia formal assinada pelos promotores Ana Medeiros e Marcelo Malvezzi que Hércules e Célio foram contratados pelo sargento José Jesus de Freitas (executado em 1999).

“A Justiça, enfim, começou a ser feita, mas ainda faltam outros envolvidos a serem julgados”, desabafa o sobrinho das vítimas, Gustavo Araújo Brandão.

Motivação

A disputa teve início em novembro de 1988, quando José Carlos Machado Araújo, conhecido como “Zezeca”, e sua esposa, Nilma, colocaram à venda uma fazenda localizada na divisa dos municípios de Rondonópolis e Itiquira, mais precisamente na região do Mineirinho, com 2.175 hectares, denominada Fazenda Três Irmãos.

O contrato de compra e venda foi firmado em novembro de 1988 e foi convencionado que o pagamento se daria em parcelas, sendo a primeira um sinal no ato da compra, o que não foi realizado. Apesar do descumprimento contratual, a Agropecuária Marchett entrou na Justiça contra José Carloso e sua esposa Nilma requerendo a escritura da fazenda.

Gol branco seria a prova do pagamento dos crimes

Uma das provas apontadas pelo Ministério Público Estadual para incriminar os denunciados como mandantes dos assassinatos foi a entrega de um veículo Gol, branco, dado como pagamento pelos assassinatos. O carro pertencia a Sementes Mônica, cujo documento de transferência foi assinado pela acusada Mônica Marchett ao ex-soldado PM Célio Alves, cúmplice do ex-cabo Hércules Agostinho nos crimes.

Um dos grandes problemas da demora processual se dá pelo fato de que o acusado Sérgio Marchett, por ter cidadania boliviana e residir naquele país, ainda não ter sido citado no processo em que está sendo acusado desde 2003. Para a citação do acusado, será necessária a expedição de carta rogatória, traduzida para o espanhol e encaminhada à Justiça boliviana, para que seja entregue ao acusado Sérgio Marchett, citando-o sobre o processo de homicídio qualificado promovido contra ele, que possui idade superior a 70 anos, período em que a prescrição dos crimes cai para 10 anos.

Publicado em : 02/07/2009 às 12:56
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