O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) vai atuar em conjunto com Polícia Civil nas investigações sobre o assassinato da ex-estudante Eiko Uemura, 23 anos. De acordo com Paulo Prado, chefe do Gaeco, o apoio se inicia desde já. A garota foi encontrada morta no dia 29 de abril, no precipício do Portão do Inferno, em Chapada dos Guimarães. Laudo divulgado na terça-feira revelou que ela foi torturada e assassinada antes de ser jogada no penhasco.
A entrada do Gaeco no caso reforça a tese de que a morte da jovem possa ter algum vínculo com a máfia. “Vamos ajudar no que for necessário. O importante é que o crime seja esclarecido o quanto antes”, afirmou Prado.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) recebe hoje os autos sobre a morte da garota. O titular da delegacia, Márcio Pieroni, conduzirá as investigações.
O nome de Eiko apareceu na lista dos 30 denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) durante a Operação Gafanhoto, sob a acusação de ser uma das “laranjas” no esquema supostamente comandado pelo tio, Júlio Uemura.
De acordo com a denúncia, a garota era sócia-proprietária de várias empresas “fantasmas” e dona do empreendimento Eikon Atacado de Alimentos, também utilizada pela organização de Uemura para aplicar golpes financeiros, por meio da comercialização ilícita de produtos hortifrutigranjeiros.
O laudo da exumação do corpo da jovem, divulgado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá na terça-feira (30), no qual foi constatado que Eiko morreu em virtude de agressões sofridas por terceiros, causou uma reviravolta no caso, que caminhava para o arquivamento.
O advogado do namorado casado da garota, Ulisses Rabaneda, afirmou que seu cliente, o também advogado Sebastião Carlos Araújo Prado, ficou surpreso com a revelação do novo laudo, mas que está absolutamente tranquilo quanto às possíveis suspeitas que possam recair sobre ele.
“Independente do que causou a morte da Eiko, o Sebastião está à disposição da Justiça para colaborar com as investigações, pois não tem participação nenhuma na morte da jovem”, ressaltou Rabaneda.
Segundo ele, a última vez em que Sebastião e Eiko conversaram aconteceu seguramente às 21 horas do dia 28 de abril. Na ocasião, ele disse que a garota aparentava estar sozinha e tranquila, apesar do tom de despedida percebido nas palavras dela, dizendo estar agradecida pelo tempo em que passaram juntos. “Em nenhum momento, porém, ela disse ao Sebastião estar sofrendo algum tipo de ameaça ou intimidação”, relatou Rabaneda.
O resultado da quebra de sigilo telefônico de Sebastião Carlos ainda não está concluído. A prima com que Eiko morava, Gisselma Uemura, preferiu não se pronunciar até as investigações começarem.
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