Mais de 70% dos assassinatos cometidos em Mato Grosso foram cometidos com uso de armas de fogo. No ano passado foram registrados 202 homicídios em Cuiabá, sendo que 141 foram vítimas desse tipo de armamento. O Instituto Sou da Paz estima que a cada 15 minutos uma pessoa seja assassinada por arma de fogo no Brasil. Nos últimos dois dias, Mato Grosso recebeu a visita da Caravana do Desarmamento, que visa modificar essa realidade.
Desde que o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor, em 2004, mais de 18 mil armas foram retiradas de circulação em Mato Grosso. Desse total, 7.801 foram apreendidas em inquéritos da Polícia Judiciária Civil, 5.266 foram apreendidas pela Polícia Militar e 5.117 foram entregues pela população na campanha do desarmamento. A diretora-geral adjunta da PJC, Thaís Camarinho, afirma que cada uma dessas armas corresponde a inúmeros crimes que deixaram de ocorrer.
Segundo Camarinho, a estimativa é que a campanha deste ano recolha 2 mil armas. “A maior vitória é a preservação de vidas e controle do Estado em relação às armas”, comenta. Dados apresentados pela diretora indicam que 4.537 desses artefatos foram legalizados no ano passado. Nessa legalização estão incluídos os recadastramentos de registros (3.158), registros de armas sem procedência (496) e novos registros (883). A representante da Rede Desarma Brasil e Instituto Sou da Paz, Heather Sutton, explica que é muito importante que continuem as articulações entre os vários segmentos da sociedade para que o Estatuto não seja uma “lei que não pegou”. De acordo com Sutton, ainda há inúmeros passos que devem ser dados para que seja diminuído o número de mortes por arma de fogo. O controle dessas armas é um desses desafios.
“A maioria das armas apreendidas em poder de bandidos são de fabricação brasileira, o que revela que o contato entre os criminosos e esse armamento não é por meio de contrabando internacional”, comenta. No Brasil existem dois fabricantes de armas e, mesmo assim, o Estado não consegue ter esse controle acerca dos compradores e uso.
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